Ministro Edson Fachin retira o sigilo das investigações do caso Master no STF

Decisão ocorre cinco dias antes de sessão extraordinária que analisará relatório da Polícia Federal sobre ministro Alexandre de Moraes

10 set, 2026
Edson Fachin | Reprodução/X/@eixopolitico

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, solicitou nesta quinta-feira (10) a retirada do sigilo das investigações do caso Master que tramitam na Corte. Pelo pedido, permanecerão sob sigilo apenas as informações cuja divulgação comprometa diligências imprescindíveis para futuras operações.

Decisão será de André Mendonça

Como relator do caso, cabe a André Mendonça decidir sobre o fim do sigilo dos documentos da investigação. Por esse motivo, o presidente da Corte solicita a retirada, e não a determina. O gabinete de Mendonça informou que o ministro proferirá despacho ainda nesta quinta-feira (10) sobre o tema.

“Tendo em vista a inclusão da Pet 16.662 em calendário de julgamento na sessão extraordinária de 15 de setembro de 2026 e considerando que a Pet 16.662 foi formada a partir da Pet 15.556, solicita-se ao eminente ministro André Mendonça (relator da Pet 15.556), a remessa, em HD próprio, a esta Presidência e aos gabinetes dos eminentes ministros, de todos os procedimentos contidos ou relacionados à Pet 15.556, bem como o levantamento do sigilo da Pet 15.556 (e dos procedimentos nela contidos ou a ela relacionados), ressalvado apenas o que diga respeito a diligências cujo sigilo seja imprescindível à realização da medida”, disse Fachin.


Edson Fachin (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)


Fachin convocou o plenário da Corte para discutir na próxima terça-feira (15) o relatório da Polícia Federal. O documento apontou uma suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro. Na sessão, os ministros vão discutir a validade do documento feito a pedido de Mendonça.

Alguns ministros criticaram o modo como o relatório foi encomendado. Na avaliação deles, Mendonça pediu para investigar um colega sem autorização do plenário. O documento gerou tensões internas que Fachin busca agora desfazer.

Nesta quinta-feira (10) à tarde, o presidente da Corte passou horas em consultas internas. Segundo o G1, Fachin recebeu seis ministros no gabinete da Presidência: Alexandre de Moraes, André Mendonça, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também esteve no encontro.

Fachin ouviu impressões sobre o rito para a sessão de terça-feira (15) e análise de cenários para estancar a crise. Segundo um ministro ouvido pelo G1, Fachin tem “escutado muito e falado pouco”. No fim da noite, o presidente foi até o gabinete da ministra Cármen Lúcia para mais conversas.

Seis votos são considerados mais consolidados nos bastidores. Segundo o G1, os ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin são apontados como alinhados com Moraes, enquanto André Mendonça contaria com o apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Há incerteza sobre os votos de Fachin e Cármen Lúcia, que recebem acenos dos dois lados.

O ministro Dias Toffoli teria indicado a colegas que a tendência é não participar, já que o caso é desdobramento do Master e ele se declarou suspeito de votar em desdobramentos. Há quem defenda que o ministro pode votar, sendo que a discussão envolve questões processuais, como o modelo para investigação de um integrante da Corte.

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