Paramount fecha compra histórica da Warner Bros. por US$ 110 bilhões
Fusão reúne estúdios de Hollywood, serviços de streaming e redes de TV sob comando de David Ellison, mas empresa começa com dívida de US$ 80 bilhões
A Paramount compra Warner Bros. Discovery nesta terça-feira (6) por US$ 110 bilhões, criando uma das maiores empresas de entretenimento do mundo. A operação reúne marcas como HBO Max, Paramount+, CNN e CBS sob comando de David Ellison e Ynon Kreiz.
David Ellison, filho do cofundador da Oracle Larry Ellison, será o principal executivo da Skydance e ficará responsável pela estratégia geral e pela direção criativa da empresa. Ynon Kreiz, ex-CEO da Mattel, assume o cargo de co-CEO e responde pelas operações do dia a dia e pela integração das duas companhias, segundo o g1.
Comando da nova empresa
A estrutura de liderança divide responsabilidades entre os dois executivos. Ellison concentra-se na visão estratégica e nas decisões criativas sobre conteúdo, enquanto Kreiz gerencia a rotina operacional e coordena a fusão de sistemas, equipes e processos. A divisão reflete a necessidade de combinar a experiência de Ellison como produtor de filmes com a expertise de Kreiz em gestão corporativa e transformação organizacional.
Compra da Warner pela Paramount foi aprovada (Vídeo: reprodução/YouTube/SBT News)
Antes da operação com a Warner, Ellison fundou a Skydance em 2010 como produtora e financiadora de conteúdo. A empresa ganhou destaque ao produzir Top Gun: Maverick e completou sua fusão com a Paramount no ano passado, estabelecendo a base para esta operação ainda maior.
Portfólio e operações
A nova companhia controla um dos maiores portfólios de entretenimento do planeta. Sob seu comando estão as franquias Harry Potter, Batman, Missão: Impossível e Top Gun, além dos estúdios Warner Bros. e Paramount Pictures. A empresa atua em cinema, televisão, streaming e jornalismo, operando as plataformas HBO Max e Paramount+, além de canais como CNN e CBS.
A nova companhia passa a se chamar Skydance e terá suas ações negociadas na Bolsa de Nova York sob o código “SKYD”. A mudança ocorreu nesta terça-feira (6), quando os papéis da empresa combinada deixaram de ser negociados na Nasdaq.
A transição das ações representa o reconhecimento formal da nova estrutura no mercado de capitais. Os investidores acompanham a mudança de símbolo como indicador da reorganização societária em andamento.
Desafios financeiros
A Skydance enfrenta desafios imediatos em sua estrutura de capital. Segundo o G1, a companhia terá cerca de US$ 80 bilhões em dívidas e pretende economizar US$ 6 bilhões em custos. Parte relevante da economia deve vir de integração de tecnologias de streaming e fornecedores de computação em nuvem.
A dívida elevada coloca pressão sobre a administração para ampliar assinantes das plataformas de streaming, manter a geração de caixa da TV por assinatura e melhorar o desempenho de filmes nos cinemas. Espera-se que a fusão provoque cortes de empregos em diferentes áreas de Hollywood, conforme apurou o G1.
A manutenção de lideranças em operações jornalísticas reforça o comprometimento com as operações de notícia. Mark Thompson continuará como chefe da CNN e Bari Weiss permanecerá como editora-chefe da CBS News. Os acordos com estados americanos e sindicatos de Hollywood permitiram a conclusão da operação sem essas mudanças.
A operação encerra uma das maiores disputas recentes pelo controle de ativos de Hollywood. Conforme o G1, a Paramount Skydance venceu concorrência que envolveu Netflix e atraiu interesse de empresas como Comcast. Questionamentos de autoridades concorrenciais nos EUA foram resolvidos através de acordos que exigiram compromissos da Paramount com investimentos em produções americanas e produção de número específico de filmes.
A fusão ocorre em momento de transformação acelerada no mercado de entretenimento. Empresas de mídia enfrentam queda no número de assinantes de TV a cabo e alto custo para disputar audiência em plataformas de streaming, forçando a necessidade de reduzir despesas e consolidar operações. A Skydance passa a controlar portfólio maior de filmes, séries, canais de televisão e plataformas de streaming, combinando operações e reduzindo custos para aumentar a geração de receita com seus conteúdos e serviços.
