PL pressiona por impeachment de Moraes e aposta na força do novo Senado
Enquanto bolsonaristas rejeitam negociação, ministros do Supremo avaliam que nem todos os novos parlamentares integram a ala mais radical
Setores do PL e da campanha de Flávio Bolsonaro tratam o impeachment do ministro Alexandre de Moraes como um ponto ‘inegociável’ para 2027. O partido terá 28 senadores, a maior bancada do Senado, segundo o G1. Levantamentos apontam um contingente próximo dos 54 votos necessários para afastar um ministro. A ofensiva contra o magistrado deixou de ser apenas bandeira eleitoral e tende a ocupar o centro das discussões na próxima legislatura.
“Impeachment de Moraes é um ponto inegociável”, afirmam setores do PL e da campanha de Flávio Bolsonaro.
Os 54 votos não representam, porém, apoio automático. Nem todos os senadores eleitos sob rótulo bolsonarista integram a ala mais radical do partido. Há parlamentares com posições mais moderadas que não formam um bloco unificado em torno da retirada do ministro. Essa fragmentação abre espaço para negociações políticas que fogem ao controle da cúpula do PL.
A força numérica do PL no Senado
O PL começará 2027 com a maior bancada da Casa, segundo o G1. Os 28 senadores representam um salto na capacidade de articulação legislativa do partido. Para derrotar um ministro do Supremo, é necessário dois terços dos votos da Casa, o que equivale aos 54 mencionados nos levantamentos.
Essas contas consideram apenas os números em plenário. Na prática, alcançar esse quórum depende de fatores que vão além das legendas. Pendências judiciais de parlamentares e desdobramentos de investigações em andamento tendem a influenciar posicionamentos individuais. O STF considera esses elementos ao mapear a real correlação de forças para 2027.
Senado em Brasília (Foto: reprodução/wsfurlan/ Getty Images Embed)
A cautela do Supremo
Ministros do STF defendem cautela e esperam pela acomodação das bancadas nos primeiros meses de 2027. Setores da Corte mapeiam parlamentares próximos do Centrão em busca de espaço para diálogo político, conforme informou o G1. A avaliação é de que nem todo senador eleito sob rótulo bolsonarista integra a ala mais radical.
Essa estratégia de aproximação com moderados representa uma mudança de postura defensiva para proativa. Ao identificar possíveis parceiros na nova composição do Senado, o STF busca antecipar pressões. Há dentro da Corte quem defenda acordo político com setores moderados da direita, uma tentativa de construir consenso sem capitulação aos pontos mais duros da agenda bolsonarista.
Divergência entre PL e STF
A distância entre as duas posições é clara. De um lado, setores do PL rejeitam negociação quando o tema é impeachment de Moraes. Para esse grupo, não há espaço para acordão nessa questão. Do outro, ministros do STF sinalizam disposição para diálogo e ajustes políticos.
O resultado das urnas alterou a correlação de forças entre Congresso e Supremo de forma significativa. Dependendo do vencedor da disputa presidencial de 2026, um grupo dentro da Corte tende a sair fortalecido. A eleição presidencial deverá influenciar o equilíbrio interno do Supremo, moldando quem terá força para negociar nos próximos anos.
A pressão pelo impeachment de Moraes tenderá a ocupar o centro das discussões do Senado em 2027, apontando para um possível confronto direto entre Congresso e Supremo.
