Operações de PF no Amazonas afetam garimpo ilegal

Operações miraram a estrutura financeira da atividade criminosa; avançaram sobre a cadeia do ouro ilegal e revelaram violações ambientais

12 jan, 2026
Garimpo ilegal em Terra Indígena Yanomami | Reprodução/Instagram/@frazaofernando
Garimpo ilegal em Terra Indígena Yanomami | Reprodução/Instagram/@frazaofernando

Com a destruição de mais de 375 dragas, balsas e outras infraestruturas de mineração, as operações contra o garimpo ilegal realizadas pela Polícia Federal (PF) em 2025 causaram prejuízo superior a R$ 1 bilhão aos garimpeiros no Amazonas. As ações visaram reduzir a rentabilidade e a atividade criminosa, com a destruição de estruturas em operação em rios federais, unidades de conservação e terras indígenas.

As operações ocorreram em rios federais, unidades de conservação e terras indígenas, inclusive em regiões com registro de povos isolados. Embora o número exato de ações não tenha sido detalhado, a Polícia Federal destacou que a estratégia adotada em 2025 teve como foco reduzir de forma estrutural a rentabilidade do garimpo ilegal, atingindo diretamente o núcleo financeiro e logístico das organizações criminosas que sustentam essa prática.

Decisões governamentais

Em dezembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu uma votação que invalidou o marco temporal em áreas indígenas, defendendo que havia inconstitucionalidade na aplicação da norma, o que impedia o prosseguimento da medida. Tese que usa a Constituição de 1988 como ponto de partida, o marco temporal tenta limitar os direitos territoriais indígenas, a fim de definir quais regiões ou áreas os povos indígenas podem reivindicar.

Apesar disso,  o garimpo ilegal do ouro, por exemplo, foi uma atividade ativa no ano de 2025 e segundo o chefe Delegacia de Meio Ambiente da Polícia Federal no Amazonas, em exercício, Jonathas Simas, essa prática “deixa de ser uma prática criminosa isolada e ganha contornos das grandes organizações criminosas, que trazem prejuízos a ambientais, sociais e aos direitos humanos”.

Dessa forma, as ações da PF foram essenciais para enfrentar essas organizações que continuam explorando áreas indígenas, mesmo diante do reconhecimento constitucional desses territórios.


STF invalida marco temporal (Vídeo: reprodução/Instagram/@agenciasenado)


As operações

A PF não apenas destruiu os equipamentos utilizados pelas organizações criminosas na prática do garimpo ilegal, como também cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão, além de determinar o bloqueio de mais de R$ 74 milhões em ativos. As ações atingiram diretamente a estrutura financeira desses grupos, com o objetivo de enfraquecer a exploração, a lavagem de dinheiro e a comercialização dos recursos extraídos ilegalmente.

Com apoio de órgãos como o Ibama, o ICMBio, a Funai, o Ministério Público do Trabalho (MPT) e as Forças Armadas, as operações da PF buscaram expor e acabar com essas práticas criminosas que são responsáveis por crimes ambientais, exploração humana, com trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão, usurpação de bens da União e lavagem de dinheiro.


Garimpo ilegal em Terra Indígena Yanomami (Foto: reprodução/Instagram/@frazaofernando)


Entre as principais operações de 2025, uma ação em Jutaí percorreu três rios da região e resultou na destruição de 16 dragas, ampliando a presença do Estado em áreas remotas de difícil acesso. Em setembro, uma das maiores ofensivas do ano levou à destruição de mais de 270 dragas em Humaitá e Manicoré, atingindo de forma direta a logística do garimpo em larga escala.

Em novembro, a PF intensificou as ações. Em parceria com a polícia da Colômbia, destruiu 14 dragas na região de fronteira amazônica, evidenciando a dimensão internacional do problema. No mesmo mês, outra operação de três dias em rios do Amazonas localizou e inutilizou dez dragas, com imagens divulgadas pela corporação para mostrar o impacto da ofensiva.

Segundo a Polícia Federal, o conjunto dessas ações reforça a estratégia de descapitalizar o crime organizado, atingindo não apenas equipamentos, mas toda a engrenagem que sustenta o garimpo ilegal na Amazônia.

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