Nvidia perde título para Apple com queda nas ações
Papéis da empresa, fabricante de chips caem 3,5% e abrem espaço para Apple recuperar liderança que não tinha desde 2025
Wall Street testemunhou nesta sexta-feira (17) uma virada que muitos analistas não previam para 2026: a Nvidia, que dominava o ranking das empresas mais valiosas do planeta havia mais de um ano, foi ultrapassada pela Apple. A gigante dos chips viu suas ações recuarem 3,5%, encerrando o pregão avaliada em US$ 4,86 trilhões, enquanto a fabricante do iPhone fechou em US$ 4,88 trilhões, praticamente estável.
O resultado coloca novamente à Apple um posto que ela não ocupava desde abril de 2025 e deixa uma dúvida no mundo dos negócios: será que as empresas que mais investiram em infraestrutura de inteligência artificial ainda merecem o mesmo otimismo dos investidores?
Chips em queda livre
Os chips são os circuitos eletrônicos que processam dados e dão vida a computadores, celulares e servidores. No caso da Nvidia, são peças especializadas em processamento gráfico e de IA, usadas por empresas de tecnologia para construir seus datacenters. Essa recente queda da Nvidia não é por acaso, o setor inteiro de semicondutores tem sofrido: o índice Philadelphia Semiconductor recua quase 19% frente ao seu recorde histórico e caminha para fechar a pior semana em mais de doze meses. Fundos e gestores começaram a questionar se o ritmo bilionário de gastos nesse tipo de infraestrutura é sustentável no longo prazo, e essa desconfiança tem pesado diretamente sobre o valor de mercado da Nvidia.
Ações de tecnologia têm sessão volátil na Nasdaq (Foto: reprodução/Getty Images Embed)
O contra-ataque silencioso da Apple
Enquanto a Nvidia estava instável, a empresa da Apple tentava ser mais discreta. A empresa não disputa a corrida por construir os modelos de IA mais avançados nem investe pesado em data centers. Em vez disso, aposta em incorporar inteligência artificial aos seus próprios produtos e serviços, cobrando por isso através do ecossistema já consolidado de iPhone, Mac e assinaturas de produtos da companhia.
Segundo Toni Meadows, chefe de investimentos da BRI Wealth Management, o mercado passou a enxergar essa estratégia com outros olhos: a companhia deixou de ser vista como “atrasada” na corrida da IA e passou a ser vista como uma aposta mais segura.
John Ternus, futuro CEO da Apple, durante palestra da empresa (Foto: Reprodução/Getty Images Embed)
O momento também coincide com uma mudança de comando na Apple: em 1º de setembro, Tim Cook deixa o cargo de CEO e dá lugar a John Ternus, executivo que passou 25 anos na empresa. Umas das táticas adotadas da empresa e a reformulação da assistente Siri, que também é apontada como parte da tentativa da companhia de mostrar que não ficou para trás na disputa por inteligência artificial.
Mesmo com a queda, a Nvidia ainda tem vantagem no acumulado de 2026 se comparada ao desempenho do próprio setor de semicondutores, o que sugere que a disputa pelo topo do ranking global não tem um líder definido.
