Moraes nega irregularidades no caso Master e acusa Mendonça de investigação com motivação político-eleitoral

Em manifestação de 44 páginas, ministro afirma que dos 7.742 documentos analisados não há indício de infração penal de sua autoria

15 set, 2026
Ministro Alexandre de Moraes | Reprodução/Agência Brasil/Marcelo Camargo
Ministro Alexandre de Moraes | Reprodução/Agência Brasil/Marcelo Camargo

O ministro Alexandre de Moraes entregou manifestação de 44 páginas ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, negando irregularidades no caso do Banco Master. Na peça, Moraes afirma que não há indício de infração penal de sua autoria e acusa o ministro André Mendonça de conduzir investigação com motivação político-eleitoral, segundo a Notícias Agrícolas.

Moraes alega que jamais julgou qualquer processo do Banco Master ou de Daniel Vorcaro, antes, durante ou depois do contrato firmado entre a instituição e o escritório de advocacia da esposa do ministro. Em sua defesa, Moraes sustenta que não existe sentença, decisão ou ato de ofício de sua autoria relacionado ao banco ou a Vorcaro.

“Dos 7.742 documentos dos autos que tiveram o sigilo levantado por determinação da presidência do Supremo Tribunal Federal, igualmente, não há um único indício da prática de infração penal por parte do ministro Alexandre de Moraes”, consta na manifestação.

“O ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer processo do Banco Master ou de Daniel Vorcaro, antes, durante ou depois do contrato”, alegou Moraes na peça.

Acusações contra Mendonça

Moraes acusa Mendonça de obstrução de Justiça e determinar investigação ilegal. O ministro afirma que Mendonça direcionou as investigações e produziu o que chama de farsa com objetivos político-eleitorais. Segundo a Notícias Agrícolas, a manifestação de Moraes contém 121 tópicos nos quais desenvolve essas acusações.

O ministro critica o relatório produzido na investigação, alegando que é composto de ilações e conjecturas. Moraes afirma que o documento usa recortes de fragmentos escolhidos subjetivamente.

“O relatório é composto de ilações e conjecturas a partir de recortes de fragmentos escolhidos subjetivamente, estando cheio de falhas, mentiras e falsidades”, afirmou Moraes.


Moraes nega irregularidades no caso Master e acusa Mendonça de investigação com motivação político (Vídeo: reprodução/YouTube/InfoMoney)


Motivação político-eleitoral

Moraes relaciona a investigação às condenações pela tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, quando foi relator do processo em que Jair Bolsonaro recebeu condenação. O ministro afirma que a tentativa de golpe não se encerrou naquela data, mas mudou sua forma de atuação.

“Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal”, declarou Moraes na manifestação.

“A tentativa de golpe não se encerrou em 8/1/2023, simplesmente mudou seu modus operandi”, complementou.

Moraes apontou indícios de abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte de Mendonça. Mendonça foi indicado ao Supremo por Bolsonaro e é relator do caso Master na corte. O ministro não respondeu de imediato aos pedidos de comentários.

O julgamento da petição ocorrerá em 23 de setembro de 2026 no plenário do Supremo Tribunal Federal. Fachin solicitou manifestação de Moraes, Mendonça, do Procurador-Geral da República Andrei Gonet e do vice-procurador.

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