ICE planeja usar luvas de choque em operações contra imigrantes nos EUA
Luvas de choque devem começar a ser adotadas no primeiro trimestre de 2027 e já provocam críticas de organizações de defesa dos direitos civis
Segundo informações divulgadas pela Associated Press na última terça-feira, 11, os agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) poderão passar a utilizar luvas de choque como parte do equipamento durante operações.
O dispositivo, já usado em algumas prisões e forças policiais dos Estados Unidos, é capaz de aplicar choques elétricos dolorosos ao entrar em contato com a pele. A ferramenta seria utilizada no controle de pessoas consideradas agressivas ou que possam desobedecer às ordens dos agentes do órgão.
De acordo com o Departamento de Segurança Interna norte-americano (DHS), o ICE planeja gastar até US$ 20 milhões na compra dos dispositivos, que devem começar a ser utilizados ainda no primeiro trimestre de 2027.
Como funcionam as luvas de choque
Conhecidos como G.L.O.V.E. (Generated Low Output Voltage Emitter), em português Emissor de Voltagem de Baixa Intensidade Gerada, os dispositivos funcionam como um par comum de luvas até que o choque seja ativado pelo usuário.
Policiais do ICE em operação contra imigrantes nos EUA (Foto: reprodução/Spencer Platt/Getty Images Embed)
Ao apertar um botão, o modo elétrico é acionado. Em seguida, basta encostar a luva na pele da pessoa para que o estímulo elétrico de até 380V seja aplicado. John Peters, presidente do Instituto para Prevenção de Mortes sob Custódia, comparou o choque a “uma picada de abelha”.
Além disso, Peters destacou que a ferramenta pode ser eficaz para agentes “menores, mais fracos e mais velhos” fazerem uma pessoa obedecer às ordens “em questão de segundos”, ajudando-os a enfrentar “qualquer tipo de resistência”.
A Compliant Technologies, fabricante das luvas, alerta que o dispositivo não deve ser usado como forma de punição. Segundo as regras de utilização, o equipamento deve ser empregado apenas contra pessoas que se recusam a acatar as ordens dos agentes ou apresentam “comportamento hostil”.
Ainda segundo a empresa, o uso também é proibido contra pessoas com deficiência, idosos, crianças e mulheres grávidas. Para garantir o uso correto do dispositivo, os agentes devem concluir um curso para obter a certificação da fabricante, que permite a utilização das luvas. A capacitação deve ser renovada periodicamente, a cada dois anos.
Uso do equipamento gera críticas nos EUA
O plano do governo de Donald Trump já preocupa defensores dos direitos humanos e civis nos Estados Unidos. As organizações afirmam que os agentes do ICE atuam sob pouca supervisão e são frequentemente criticados pelo uso excessivo da força.
População estadunidense protesta contra o ICE em Nova Iorque, nos Estados Unidos (Foto: reprodução/Spencer Platt/Getty Images Embed)
A vice-diretora do projeto de policiamento da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), Jenn Rolnick Borchetta, questionou a necessidade das luvas de choque nas operações de repressão à imigração.
Segundo ela, as pessoas submetidas aos dispositivos podem não receber qualquer aviso prévio antes do choque. Além disso, Borchetta afirmou que os equipamentos são “uma receita para causar danos ao público”.
Questionados pela Associated Press, o DHS, a ACLU e outras instituições de defesa dos direitos civis não responderam. Já o CEO da empresa fabricante das luvas, Jeff Niklaus, afirmou por e-mail: “Não podemos falar sobre esse assunto.”
