Lula fala sobre regulação das big techs, segurança e educação após reeleição

Presidente destacou compromisso com regulação das plataformas digitais e com trabalho legislativo, apesar de Congresso mais conservador

26 out, 2026
Lula | Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil
Lula | Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil

Confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula apresentou em São Paulo suas prioridades para os próximos quatro anos de mandato. Entre os temas mencionados estão a regulação das grandes empresas de tecnologia, segurança pública e políticas de educação. O pronunciamento ocorreu logo após a oficialização do resultado eleitoral.

O presidente enfatizou que encerrou o ciclo de campanha e deve agora governar para a totalidade da população. “Eu tenho que governar para 215 milhões. Eu tenho que governar todas as cidades”, afirmou.

Plataformas digitais e tributação

Lula abordou o papel das big techs durante a campanha, mencionando o que chamou de “intromissão das plataformas digitais” no processo eleitoral. Criticou empresas de tecnologia que acumulam bilhões sem recolher impostos ao país e sinalizou intenção de implementar mudanças regulatórias junto ao Congresso Nacional.

O presidente alertou para a necessidade de tratar crimes no ambiente digital com a mesma seriedade dos crimes presenciais. “Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual o crime na vida real. Nós não podemos ter empresas monstruosas de grandes, ganhando milhões e bilhões, não pagando nenhum imposto pra esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral desse país.”


Lula (Foto: reprodução/Instagram/@ptsaopaulo)


Relação com o Parlamento

Lula reconheceu a composição mais conservadora do Congresso eleito, mas sinalizou disposição para o trabalho conjunto. O presidente não escolheu o Legislativo, ressaltou, e atuará em parceria com os parlamentares independentemente de suas posições.

“Na relação com o Congresso… Porque já tem gente falando que o Lula vai ter muita dificuldade para governar, porque o Congresso está muito conservador… Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu e é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, afirmou.

O presidente também reafirmou seu compromisso com a Constituição Federal de 1988, destacando que o respeito às instituições democráticas é essencial para qualquer governo legítimo.

“Se depender de mim, esse país só tem que ser civilizado, esse país tem uma Constituição. Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos e ele foi eleito para governar com base no respeito à Constituição”, disse.

Segurança pública como prioridade

Segundo o presidente, o governo federal intensificará ações mesmo reconhecendo que a responsabilidade constitucional é das unidades federativas.

“O governo federal nunca teve responsabilidade com a segurança pública porque a Constituição de 88 transferiu toda a responsabilidade para os Estados, mas está provado que os Estados não dão conta. Nós vamos entrar agora para devolver aos trabalhadores a tranquilidade de que precisam. Para o povo trabalhador, a gente vai dar proteção. Para o bandido, a gente vai dar prisão.”

Educação e inovação tecnológica

Lula apresentou projeto de universalização da escola de tempo integral até o ensino médio e anunciou a criação do programa Pé-de-Meia para alunos universitários. Defendeu também maior ênfase no ensino de matemática e engenharia nas escolas como estratégia de desenvolvimento.

O presidente vinculou a formação educacional ao objetivo de reduzir a dependência tecnológica externa. “Iremos ensinar mais matemática, mais engenharia, porque eu não quero ficar dependendo de inteligência artificial chinesa ou americana, eu quero criar uma brasileira. Nós temos que aproveitar o potencial energético de um país que talvez seja o que tem a maior capacidade de energia renovável, pra trazer pra cá os data centers necessários para acumular também os nossos dados pro Brasil.”

Lula ainda mencionou planos na área de saúde, com promessa de 15 UTIs inteligentes no país, e enfatizou a intenção de transformar o Brasil de economia em desenvolvimento para economia desenvolvida.

Mais notícias