Israel vai às urnas em meio a empate e incerteza
Com empate técnico nas pesquisas e risco de novas eleições, o pleito decidirá o futuro político do premiê e da geopolítica mundial
Nesta terça-feira (27), o povo israelense irá às urnas pela primeira vez desde o início do conflito na Faixa de Gaza. As eleições decidirão quem será o futuro primeiro-ministro de Israel e se mostram decisivas para o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Um partido precisa ter um mínimo de 61 cadeiras no Knesset, o Parlamento israelense, para indicar quem ocupará o cargo de primeiro-ministro do país. Com a popularidade baixa e processos em tramitação na justiça israelense, Netanyahu chega às eleições em desvantagem e pode perder seu cargo; entretanto, nenhum dos partidos rivais demonstra possuir força o suficiente para indicar um primeiro-ministro.
O fantasma da Justiça e a aposta no medo.
O resultado dessas eleições poderá definir o futuro político de Benjamin Netanyahu. Atualmente, o primeiro-ministro israelense enfrenta acusações de fraude, quebra de confiança e recebimento de propina. Além dos processos dentro da justiça israelense, Netanyahu foi acusado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) de crimes de guerra, perante a sua conduta no conflito entre Israel e o Hamas. Se não for reeleito, ele perderá sua blindagem judicial e terá de enfrentar as acusações.
Benjamin Netanyahu é acusado de crimes de guerra (Vídeo: reprodução/Youtube/CNN Brasil)
Em uma tentativa de persuadir eleitores indecisos, Netanyahu utiliza uma narrativa bélica, usando sua atuação durante o conflito na Faixa de Gaza e a atual guerra com o Irã para buscar apoio, insistindo que o conflito é a única forma que Israel possui de combater ameaças ao país. Além disso, ele utiliza também sua parceria com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Oposição e desgaste político.
O principal oponente político de Netanyahu nessas eleições é Gadi Eisenkot, de 66 anos. Militar de carreira, ingressou na política em 2022, integrando a aliança de centro e sendo eleito deputado para o Knesset no mesmo ano. Após o ataque ocorrido no dia 7 de outubro de 2023, juntou-se ao governo de Netanyahu.
Apesar de sua pouca experiência política, Gadi desfruta de grande popularidade. Suas posições políticas são muito similares às do governo atual, porém divergem ao defender propostas como a revogação da reforma judicial passada por Netanyahu e o serviço militar para judeus ultraortodoxos.
Resultados de pesquisas recentes realçam o cenário de instabilidade da política interna israelense. As pesquisas apontam um possível empate técnico entre os dois candidatos. Das 120 cadeiras que compõem o Parlamento israelense, segundo as pesquisas, cada candidato pode chegar a ocupar de 50 a 55.
תתקשרו לסבא ולסבתא לדוד ולדודה.
אנחנו במלחמה על הבית!
צאו עכשיו להצביע מחל! https://t.co/s5NBXGmvH4
— Benjamin Netanyahu – בנימין נתניהו (@netanyahu) October 27, 2026
Benjamin Netanyahu pede para cidadãos irem as urnas (Vídeo: reprodução/X/@netanyahu)
Esse empate técnico abre oportunidades para a formação de coligações com os partidos árabes, que possuem cadeiras no Knesset. Netanyahu já expressou sua recusa em firmar alianças com os partidos árabes; seu opositor, no entanto, já demonstrou estar aberto à possibilidade.
Dentro desse cenário de apreensão, existe também a possibilidade de nenhum partido conseguir ocupar as 61 cadeiras necessárias para apontar um primeiro-ministro, o que colocará o país em um impasse, forçando a dissolução do Parlamento e a convocação de novas eleições.
O que está em jogo para além de Israel
O resultado dessas eleições será decisivo não apenas para a política interna israelense, mas influenciará o cenário geopolítico mundial, em especial o Oriente Médio.
A eleição irá definir não a continuação ou o fim dos conflitos militares em que Israel está envolvido, mas se Israel continuará a utilizar somente seu poderio militar como ferramenta política ou será capaz de firmar acordos políticos duradouros.
A relação entre Israel, Estados Unidos e Arábia Saudita também será decidida com o resultado dessas eleições. As relações bilaterais entre Israel e Estados Unidos se tornaram uma questão de segurança energética global. Donald Trump, em busca de fortalecer as relações americanas com a Arábia Saudita, grande potência produtora de petróleo, ofereceu a ela um acordo nuclear civil. O governo saudita, entretanto, defende a existência de um estado palestino. Netanyahu, sendo um candidato de extrema-direita israelense, já deixou bem claro que é contra a firmação de um estado palestino, o que leva as negociações americanas a um impasse.
Desde o início da sua expansão militar, Israel se vê cada vez mais isolado diplomaticamente. Seus tradicionais parceiros comerciais ocidentais (como Reino Unido, França e Canadá) estão descontentes com sua expansão militar no Oriente Médio e a atual ocupação da Cisjordânia, o que poderá levar a medidas mais duras, como sanções econômicas.
