Lula e Flávio Bolsonaro discutem dívidas e SUS e trocam provocações no debate da Globo

Candidatos debateram infraestrutura, salário mínimo, dívida pública e segurança em confronto marcado por trocas pessoais dois dias antes da votação

24 out, 2026
Flávio Bolsonaro e presidente Lula | Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro/@lula
Flávio Bolsonaro e presidente Lula | Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro/@lula

Lula e Flávio Bolsonaro debateram na TV Globo na noite da última sexta-feira (23), em confronto que antecede o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Mediado por César Tralli, o debate foi exibido ao vivo dos Estúdios Globo no Rio, com transmissão simultânea pela GloboNews e G1. A votação está marcada para domingo (25).

Estrutura do debate

O confronto foi dividido em 4 blocos temáticos. O primeiro abordou infraestrutura, concessão do salário mínimo, exportações e saneamento básico na região Norte. No segundo, os candidatos discutiram Bolsa Família e dívida pública. O terceiro e o quarto blocos incluíram apostas online, segurança pública e propriedade de uma ilha em Angra dos Reis (RJ). As trocas de ataques pessoais marcaram o debate, com confrontos diretos sobre propostas e gestão.

Infraestrutura e obras

Flávio Bolsonaro abriu o debate questionando o governo sobre obras paralisadas. “Neste ano, o TCU, Tribunal de Contas da União, acaba de soltar um relatório que diz que existem mais de 11.500 obras paralisadas do atual governo. Ou seja, o país voltou a ser um grande cemitério de obras”, disse.

“Neste ano, o TCU, Tribunal de Contas da União, acaba de soltar um relatório que diz que existem mais de 11.500 obras paralisadas do atual governo. Ou seja, o país voltou a ser um grande cemitério de obras”.

Lula respondeu que herdou 6 mil obras paradas quando assumiu o governo. Flávio prometeu concluir a Transnordestina e fazer o eixo Sul da ferrovia ligando Centro-Oeste até oeste de Paraná e Santa Catarina. Lula rebateu citando obras em andamento: “Nós estamos fazendo uma rodovia muito importante, que ninguém teve coragem de fazer, que liga Porto Velho a Manaus, que é a BR-319. Nós estamos fazendo a Transnordestina, a Fiol e a Fico. Não é que vão fazer: estamos fazendo”.

“Nós estamos fazendo uma rodovia muito importante, que ninguém teve coragem de fazer, que liga Porto Velho a Manaus, que é a BR-319. Nós estamos fazendo a Transnordestina, a Fiol e a Fico. Não é que vão fazer: estamos fazendo”.

Salário mínimo, tributação e agronegócio

Flávio Bolsonaro criticou a política tributária do governo atual, afirmando que implementou a carga tributária mais alta da história. Chamou Lula de “nove dedos” ao comentar sobre a proposta de tarifa zero nos ônibus. Lula reforçou que governos do PT promoveram correção do salário mínimo acima da inflação. Flávio afirmou que reajustará o salário mínimo também acima da inflação.

No tema de exportações, Lula afirmou que sua gestão investiu mais no setor agrícola que o governo de Jair Bolsonaro. Disse que o Brasil ampliou as exportações e abriu 700 novos mercados. “Abrimos 700 novos mercados nesse país e aumentamos em 57 países uma média de 10 e meio, e é por isso que o nosso superávit comercial foi de quase 85 bilhões de reais. É só procurar, para vocês perceberem a bobagem que esse jovem fala quando vai debater.”

“Abrimos 700 novos mercados nesse país e aumentamos em 57 países uma média de 10 e meio, e é por isso que o nosso superávit comercial foi de quase 85 bilhões de reais. É só procurar, para vocês perceberem a bobagem que esse jovem fala quando vai debater.”

Lula criticou a relação de Flávio com Donald Trump e a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros. Flávio afirmou que agricultores enfrentam dificuldades para obter financiamentos com juros reais próximos de 20%. Prometeu garantir recursos para seguro rural e Plano Safra, impedindo contingenciamento.


 

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Lula e Flávio Bolsonaro na Globo (Vídeo: reprodução/Instagram/@portalg1)


Saneamento, região Norte e região Nordeste

Flávio afirmou que cerca de 90 milhões de brasileiros não têm esgoto tratado nas casas e lembrou do Marco Legal do Saneamento Básico firmado no governo de Jair Bolsonaro. Afirmou que a bancada do PT votou contra o Marco Legal. Lula respondeu que Flávio “não conhece o Brasil” e mencionou a crise de oxigênio no Amazonas durante a pandemia de Covid-19. Flávio questionou se quem governa o Brasil é Lula ou o Google, em referência aos pedidos do petista para que eleitores procurassem temas na ferramenta de busca. Prometeu investimentos do Marco Legal do Saneamento para a região Norte.

Lula destacou medidas para o Nordeste como a Transnordestina, transposição do Rio São Francisco, universidades e institutos federais. Flávio afirmou que será “o carioca mais nordestino já visto na face da Terra” e acusou que o governo atual, junto a governos estaduais de esquerda, seria responsável pela entrada do Comando Vermelho na região. Lula comentou sobre avanços: indústria automobilística, 14 hospitais, unidade do ITA no Ceará, institutos federais e universidades.

Região Sul e políticas sociais

Flávio acusou Lula de abandonar gaúchos após enchentes de 2024, afirmando que o governo entregou menos de 30% do prometido. Prometeu investir em bombas e comportas para prevenir alagamentos em Porto Alegre e empregar a Marinha no combate ao tráfico no Porto de Paranaguá. Prometeu também investimentos nas rodovias federais de Santa Catarina.

No segundo bloco, Lula questionou por que Flávio votou contra o aumento da licença-maternidade de 180 dias quando deputado estadual. Flávio disse que a votação foi há muito tempo e que votou acreditando que poderia dificultar que mulheres conseguissem emprego. Afirmou que estava errado e que hoje sabe da importância da mãe estar perto do filho. Lula rebateu que Flávio não votou quando teve a chance.

Ataques pessoais e dívida pública

O confronto escalou quando Lula rebateu a acusação de Flávio sobre o apelido “nove dedos”. “Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu, trabalhando à noite, quando eu não podia trabalhar. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos”, disse Lula.

“Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu, trabalhando à noite, quando eu não podia trabalhar. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos”.

Lula citou o caso de Ana Clara, menina de 5 anos assassinada com tiro de fuzil, cujo réu é policial que teve Flávio como advogado. Flávio teve direito de resposta por ter sido chamado de miliciano, mas falou sobre causa animal. Afirmou que nunca foi investigado por envolvimento com milícia.

No tema de dívida pública, Flávio perguntou por que os brasileiros mais pobres são os mais prejudicados pelos gastos do governo. Lula questionou o adversário sobre a independência do Banco Central. Flávio defendeu a autonomia da instituição, afirmando que serve para “evitar que presidentes sejam gastadores”. Prometeu ajudar os endividados a pagar a dívida e suspender temporariamente os pagamentos das dívidas refinanciadas, por seis meses para pessoas físicas e por um ano para pessoas jurídicas. “Eu vou comprar a sua dívida dos bancos e vou refinanciar pelo Banco da Prosperidade, que é a Caixa Econômica Federal. Quando eu compro essa dívida, ela já fica menor”, afirmou.

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