Profissionais de saúde são alvos de ataque no RD Congo

Ataques teriam sido motivados por boatos contra profissionais de saúde e resultaram na morte de um enfermeiro e em vários feridos

27 out, 2026
Profissional de Saúde | Reprodução/Pexels/Center for Disease Control's
Profissional de Saúde | Reprodução/Pexels/Center for Disease Control's

Um ataque na última sexta-feira (23) causou a morte de um enfermeiro que cuidava de pacientes com Ebola no leste da República Democrática do Congo, e outros profissionais de saúde estão sob proteção policial. Informações de autoridades de saúde local.

O enfermeiro no Hospital Geral da cidade de Bafwasende, província de Tshoopo, orientava os moradores a se cuidar em relação à doença. Em uma entrevista, uma das autoridades de saúde local contou: “Estamos chocados com a forma como a população se voltou contra esse enfermeiro. “É impossível acreditar que ele tenha sido confundido com um estranho.”

Ataque foi provocado por boato

O motivo para o atentado seriam falsos boatos sobre a contaminação do Ebola, que levaram à hostilidade e morte do enfermeiro. Moradores passaram a suspeitar das equipes médicas, levantando rumores de que os profissionais seriam os responsáveis por espalhar o vírus do Ebola.


RD Congo já registra mais de 5 mil mortes por Ebola (foto: Reprodução/Instagram/@rdcongomondemagazine)


A equipe médica se refugiou sob a proteção da polícia e do exército por medo de perder suas vidas após presenciarem o linchamento do enfermeiro. Um dos profissionais atacado do grupo sobreviveu ao ataque e se recupera no centro de saúde local. “Nenhum dos enfermeiros dorme em casa porque temem pela própria segurança”, reiterou a autoridade.

As autoridades de saúde ainda informaram que jovens da região teriam feito um outro ataque a outro colega, incendiando sua casa, mas sem dar mais detalhes de quando aconteceu o episódio. Os alvos  do ataque são grupos de resposta rápida e combate ao Ebola, hospitais, veículos e equipes médicas.

RD Congo sofre com mais um surto

Surto do Ebola, declarado oficialmente em 15 de maio, tem se espalhado depressa pelo leste da República Democrática do Congo é considerado o mais letal da história do país, ultrapassando mais de 4 mil mortes e mais de 9.964 casos confirmados, na última sexta-feira (23).

Cepa Bundibugyo do vírus Ebola é incomum e ainda não possui vacina ou procedimento especial aprovado. O vírus já atinge sete regiões, até Ituri, Kivu do Norte e Ubangi do Sul. Tshoopo está incluída entre as regiões do Congo que lidam com a cepa que se propaga velozmente.

Em avaliações feitas pelo OMS e pelo Centro Africano de Controle de Doenças, foi descoberto que, entre os principais desafios para a redução da cepa, estão a falta de vigilância nas comunidades, que dificulta o reconhecimento dos casos, a falta de camas nos centros de saúde, laboratórios que tenham capacidade de diagnóstico preciso, e a resistência dos moradores em aceitar as restrições sanitárias.

Congo vive crise humanitária

O surto ocorre em meio a guerras armadas na República Democrática do Congo, que provoca o deslocamento de mais de 7 milhões de pessoas, impedindo o acesso aos cuidados e a contenção da propagação do vírus. Falsas narrativas amedrontaram e afastaram moradores dos serviços de saúde, agravando a situação.

A crise sanitária continua sendo uma emergência de saúde pública com alto risco de propagação e exige vigilância constante e apoio internacional. Pois a desinformação é uma ameaça à vida dos profissionais de saúde e, segundo a autoridade de saúde local, antes mesmo do Ebola.

“O assassinato de um enfermeiro ontem em Bafwasende é uma perda para a resposta ao Ebola e uma perda ainda maior para os pacientes”, Julien Harneis, autoridade superior das Nações Unidas para o Ebola, em sua página na rede social X (antigo Twitter).

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