Guerra no Oriente Médio encarece querosene de aviação e passagens podem subir até 15%
Especialistas afirmam que efeitos mais significativos da guerra devem aparecer nos próximos meses após reajuste; governo estuda medidas fiscais
Diante do clima de guerra, nesta quinta-feira (1), a Petrobras anunciou que o preço médio do combustível sofrerá um aumento de mais de 50% no preço de venda para as distribuidoras, o que deve impactar diretamente o preço pago pelas companhias aéreas pelo querosene de aviação (QAV), que poderá ter uma alta de até 20%, encarecendo os custos de operação de companhias aéreas.
A medida é um reflexo do conflito no Oriente Médio, que levou ao bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica, responsável pelo escoamento de cerca de 20% do petróleo mundial.
Impactos nas passagens e nas companhias aéreas
O querosene de aviação é um dos principais custos das companhias aéreas. Adriano Pires, economista e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie) explicou que as passagens aéreas poderão sofrer um aumento de 12% a 15% e acrescentou que além do repasse do valor deste aumento aos consumidores, as empresas podem adotar meios de redução de custos, como a redução do número de voos.
Refinaria da Petrobras (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Douglas Magno)
A professora e economista do Insper, Juliana Inhasz, aponta que a concorrência também terá um papel importante na decisão dos preços das passagens, “quanto menor for a concorrência, maior tende a ser o repasse. Em mercados mais pulverizados, o repasse será menor”, disse.
Em relação ao prazo para a consolidação do efeito do aumento, a economista estipula que os impactos mais significativos devem ser sentidos logo nos próximos meses, ela também comentou sobre os possíveis ajustes que poderão ser adotados pelas companhias aéreas para minimizar os prejuízos, afirmando que poderá haver reduções de ofertas, cortes de rotas ou diminuição de frequências, principalmente a destinação de menor demanda.
Governo tenta aliviar impactos da guerra
Diante da alta dos preços do petróleo e por consequência a escalada nos preços do querosene de aviação, o Ministério de Portos e Aeroportos enviou ao Ministério da Fazendo uma série de sugestões que podem reduzir o impacto dos aumentos sobre o setor aéreo.
O documento foi formulado pela Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), e traz algumas sugestões:
- Redução do Imposto de Renda sobre operações de leasing de aeronaves;
- Redução do IOF sobre operações financeiras das empresas aéreas;
- Redução temporária de tributos incidentes sobre o querosene de aviação (QAV);
Sede do Ministério da Fazenda em Brasília (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Bloomberg)
Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, as medidas ajudariam a manter uma competitividade entre as empresas e impediria o repasse excessivo dos custos ao consumidor, mantendo a conectividade aérea do país, tanto para voos nacionais quanto internacionais.
A guerra no oriente e bloqueio do Estreito de Ormuz impactaram diretamente a aviação mundial, no caso da brasileira, o querosene de aviação sofreu um aumento de mais de 50%, que terá um efeito direto no bolso do consumidor. Diante dos aumentos, o governo brasileiro já elabora medidas para mitigar os impactos.
