PL oficializa Flávio Bolsonaro para presidência sem vice definido e impasse com Republicanos

Estratégia mantém espaço para novas alianças, mas expõe divisão interna sobre nomes como Daniella Marques e Tereza Cristina

21 jul, 2026
Flávio Bolsonaro | Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro
Flávio Bolsonaro | Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro

O Partido Liberal oficializará, no próximo sábado (25), em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência, sem anunciar o vice. A vaga será mantida aberta até 5 de agosto, prazo final da Justiça Eleitoral, permitindo novas alianças e refletindo impasses com o Republicanos.

A indefinição da chapa decorre de negociações inconclusas com o Republicanos e disputa interna no PL sobre qual perfil agregaria mais votos. O mecanismo de deixar a vaga aberta permite que a ata da convenção permaneça aberta e a Executiva Nacional conclua posteriormente a composição da chapa.

“A princípio, não será anunciada”, disse Rogério Marinho, coordenador da campanha, sobre a escolha da vice.

Os nomes em disputa

Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, é uma das principais cotadas para vice. Filiada ao Republicanos desde este ano, ela participou de transmissão com Flávio, apresentando medidas para mulheres, incluindo vouchers para creches e microcrédito. A indicação de Daniella está ligada às negociações com o Republicanos, legenda que condiciona aliança nacional à resolução de impasses estaduais e cobra apoio em quatro estados estratégicos. Apenas o Espírito Santo tem acordo fechado, com apoio ao ex-prefeito Lorenzo Pazolini.

Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, afirmou que Daniella tem qualidades técnicas, mas questionou sua capacidade de transferência de votos.


Anúncio da convenção nacional do PL (Foto: reprodução/Instagram/@plnacional22)


“O problema dela é que ela não tem voto, mas tem uma imagem muito boa, uma pessoa muito competente. Precisamos de voto, isso é que vai ser a guerra”, afirmou Valdemar Costa Neto sobre Daniella Marques.

Valdemar defendeu a senadora Tereza Cristina como nome ideal para vice-presidência. Um grupo avalia que Daniella poderia ajudar Flávio a melhorar a interlocução com o mercado financeiro e reduzir a rejeição entre o eleitorado feminino. Outra ala sustenta que a vaga deve ser destinada à liderança com maior densidade eleitoral e capacidade comprovada de transferência de votos.

As deputadas Simone Marquetto e Clarissa Tércio também foram cogitadas para vice, mas perderam força nas discussões internas. A federação União Brasil-PP sinalizou que deverá permanecer neutra na disputa presidencial.

Turbulências na campanha

A campanha de Flávio atravessou período de reorganização interna que impactou a tomada de decisões estratégicas. Em maio, a revelação de conversas de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro sobre financiamento do filme Dark Horse provocou desgaste da candidatura. Aliados do senador reconhecem que a necessidade de administrar desgastes políticos e negociações simultâneas retardou decisões sobre a composição da chapa.

Flávio rompeu publicamente com Michelle Bolsonaro, expondo disputa por espaço político. Michelle publicou vídeo dizendo-se humilhada por Flávio, e os dois não aparecem juntos em público desde então. Michelle deverá não comparecer à convenção de sábado, segundo apuração, mas a decisão final será tomada no próprio dia.

Precedentes históricos

Em 2022, Jair Bolsonaro anunciou Walter Braga Netto como vice quase um mês antes da convenção. Naquela eleição, o desenho da aliança que sustentaria a candidatura já estava praticamente definido. O PP oficializou apoio à reeleição em 27 de julho, e o Republicanos em 30 de julho, permitindo que a chapa chegasse à convenção com alianças fechadas.

Em 2018, Bolsonaro chegou à convenção do PSL sem vice definido. Janaína Paschoal recusou o convite para vice, e a questão foi resolvida apenas em 5 de agosto de 2018, quando Hamilton Mourão foi oficializado. Naquele contexto, a candidatura era sustentada apenas pelo PSL e pelo PRTB, sem ampla coalizão partidária em negociação, como ocorre agora.

“Não se ganha a eleição com pensamento único. Não se governa uma nação com pensamento único”, afirmou Janaína Paschoal.

Flávio chega à convenção comandando o maior partido do país, mas ainda sem legendas aliadas formalizando apoio. O prazo final de 5 de agosto, conforme previsto pela Justiça Eleitoral, marca o limite para definição da chapa que disputará a presidência em 2026.

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