Espanha e França enfrentam altas temperaturas no verão europeu
Aumento das temperaturas provocado pelo aquecimento global e seca prolongada aumentam chances de ocorrência de incêndios em território europeu
O que tem acontecido na França e na Espanha durante o mês de julho de 2026 é um exemplo de como o aquecimento global pode contribuir para o aumento do risco e da intensidade dos incêndios florestais. O verão europeu começou oficialmente em 21 de junho e, desde então, diferentes regiões do continente têm enfrentado ondas de calor, períodos de seca e condições climáticas favoráveis à propagação do fogo.
Em junho, a Europa Ocidental registrou a maior temperatura média para o mês desde o início da série histórica. Segundo o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, os termômetros marcaram média de 20,74°C, valor 3,05°C acima da média registrada entre 1991 e 2020. O período também foi marcado por condições mais secas do que o normal em grande parte da região. De acordo com o órgão, a combinação entre temperaturas extremas e baixa umidade contribuiu para a propagação e a intensificação de incêndios, especialmente na Península Ibérica e no sul da França.
Entenda o que é o aquecimento global
O aquecimento global é caracterizado pelo aumento da temperatura média do planeta, provocado principalmente pela crescente concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. A queima de combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás natural, libera grandes quantidades de dióxido de carbono (CO₂), além de outros gases que intensificam o efeito estufa.
Esse processo faz com que uma quantidade maior de calor fique retida na atmosfera, elevando a temperatura média do planeta e contribuindo para mudanças no sistema climático.
Espanha declara estado de emergência após incêndios (Foto: reprodução/Pablo Blazquez Dominguez/Getty Images Embed)
Entre os efeitos associados ao aquecimento global estão o aumento da frequência e da intensidade de ondas de calor, alterações nos regimes de chuva e a maior ocorrência de condições de seca em algumas regiões. Esses fatores podem favorecer a ocorrência e a propagação de incêndios florestais.
Em períodos de calor intenso e pouca chuva, a vegetação perde umidade e fica mais ressecada. Dessa forma, quando um incêndio começa, as condições ambientais podem facilitar a propagação das chamas e dificultar o controle do fogo. Isso não significa que o aquecimento global seja a causa direta de todos os incêndios, já que as queimadas também podem ter origem humana ou natural. O fenômeno, porém, pode aumentar a probabilidade de condições extremas que favorecem a expansão das chamas.
Espanha e França
A Espanha enfrenta uma situação semelhante. Em julho, incêndios atingiram diferentes regiões do país, incluindo áreas próximas a Madri, provocando evacuações e a adoção de medidas de emergência. Na Comunidade de Madri, três incêndios ativos chegaram a ser reunidos em uma única ocorrência na região da Sierra Oeste.
Na França, a situação também se agravou durante o mês de julho. Os incêndios atingiram principalmente o sudoeste do país, com ocorrências de grande dimensão nos departamentos da Gironda e das Landes, na região da Nova Aquitânia. Em 24 de julho, o Ministério do Interior francês informou que mais de 50 mil hectares haviam sido queimados no país desde o início de 2026 e que outros 32 incêndios estavam em andamento.
O cenário ocorre em meio a condições meteorológicas que aumentam o risco de incêndios. Entre 22 e 29 de julho, o Centro Comum de Investigação (JRC), da Comissão Europeia, classificou o risco de incêndio como “muito extremo” no sudoeste da França, com a área de risco se estendendo ao norte da Espanha.
Os episódios registrados nos dois países mostram como a combinação entre temperaturas elevadas, baixa umidade e períodos de seca pode criar condições favoráveis para incêndios de grande proporção. Nesse contexto, as mudanças climáticas contribuem para tornar determinados eventos de calor e seca mais preocupantes, aumentando os riscos para a população, os ecossistemas e o território europeu.
