Donald Trump chama alta no petróleo de “pequeno contratempo”

Presidente dos Estados Unidos minimiza impacto da valorização do petróleo e afirma que economia americana segue forte apesar da oscilação no mercado energético

09 mar, 2026
Comitê afirma que aumento do petróleo não influenciará o consumidor |
Reprodução/Instagram/@portalsertnews
Comitê afirma que aumento do petróleo não influenciará o consumidor | Reprodução/Instagram/@portalsertnews

Nos últimos dias, o preço da gasolina disparou, resposta do Irã contra a ofensiva de Estados Unidos e Israel, iniciada no dia 28 de fevereiro. O que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenta minimizar, referindo-se à esta alta como “pequeno contratempo”, cresce em ritmo acelerado. Na última sexta-feira (06), o preço do barril de petróleo atingiu US$ 90 e abre a semana (09) com o valor acima de US$ 100.

Para o bolso do estadunidense, o preço da gasolina comum subiu de US$2,951, uma semana antes, para US$3,109 por galão –  acima do nível do registrado no final do governo Joe Biden. Tema usado para que Trump, para ganhasse popularidade na época das eleições e angariar votos, hoje se torna um grande problema. 

Outro grande receio é o aumento inflacionário, uma vez que não é somente o valor do galão que sobe, mas o frete, o custo da logística industrial, o valor da passagem, dentre tantas outras coisas. O economista e professor na Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Braz, faz um alerta para os setores de exportação, caso o conflito não chegue a um acordo a longo prazo: “Os derivados do petróleo vão muito além dos combustíveis. A agricultura sofre com os adubos e fertilizantes. A aviação entra na conta devido ao querosene de aviação. Gás líquido, a indústria plástica e todos esses elementos dependem do petróleo. Assim, com a commodity cara, a inflação infelizmente volta a subir. E isso pode adiar à revisão de juros”, explica.

Por que o preço do petróleo subiu?

O aumento do petróleo foi uma contraofensiva do Irã aos Estados Unidos e aliados. O Oriente Médio é uma das principais regiões que possui esse recurso energético (e o gás natural). Cerca de 20% do consumo mundial diário de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz, que foi declarado fechado pela Guarda Revolucionária do Irã, que ameaçou atacar qualquer embarcação que tentasse atravessá-la.


Um navio comercial é visto ancorado na costa dos Emirados Árabes Unidos (Foto: reprodução/X/@monitordoorient)


A faixa marítima, atualmente sob domínio iraniano, já foi palco de outros conflitos históricos, como durante a Guerra do Golfo, em 1991, em que o regime de Saddam Hussein espalhou cerca de duas mil minas marítimas pelo Golfo Pérsico. 

O preço do petróleo pode subir no Brasil?

A realidade brasileira é diferente quanto à norte-americana. Os Estados Unidos dependem de muitas empresas de refinarias e distribuidoras, e os reajustes são baseados nas cotações da Nymex. O Brasil, por outro lado, só depende das decisões da Petrobras. 

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB investimentos, explica que em 2026 a estatal adota uma política de paridade internacional de preços, ainda com defasagem para reduzir as muitas mudanças. Assim, ainda que o preço do petróleo suba, o impacto ao consumidor deve ocorrer com defasagem no país. 

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