CPMI do INSS avança e amplia crise no Congresso
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou a quebra de sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha)
Sob clima tenso e protestos de parlamentares governistas, a CPMI do INSS aprovou na tarde desta quinta-feira (26) um bloco de 87 requerimentos que inclui pedidos de quebra de sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e de outras pessoas e entidades envolvidas nas apurações sobre fraudes de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A votação, feita de forma simbólica e de uma só vez, ruiu tentativas parlamentares de barrar medidas investigativas e acendeu debates sobre o impacto político da comissão em ano eleitoral.
Aprovação dos requerimentos e clima na CPMI
A comissão aprovou, em bloco e sem debate individual, 87 requerimentos, incluindo solicitações de quebras de sigilo de Lulinha, do Banco Master, da empresa CredCesta e convocações de investigados. Os pedidos visam facilitar a apuração de irregularidades ligadas ao chamado “esquema de descontos associativos indevidos”, que teria provocado prejuízo de bilhões de reais a aposentados e pensionistas.
A sessão foi marcada por protestos dos parlamentares aliados do governo, que contaram votos e questionaram o formato da votação. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que o procedimento seguiu o regimento, e que os votos contrários não inviabilizaram a aprovação dos requerimentos.
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)
Quebra de sigilo de Lulinha e alvos da investigação
O destaque na votação foi o pedido de quebra do sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, incluindo a elaboração de relatório de inteligência financeira para o período de 2022 a janeiro de 2026, de acordo com requerimentos aprovados.
Outros pontos da pauta incluem convocações de figuras como o ex-parlamentar André Moura, apontado em reportagens como possível articulador de parte das movimentações investigadas, e o ex-sócio do Banco Master Augusto Ferreira Lima, relacionado a ações no mercado de crédito consignado.
Debate político e impacto eleitoral
A aprovação desses requerimentos provocou reações imediatas de parlamentares da base governista, que acusaram a comissão de conduzir a votação de forma irregular e prometeram recorrer da decisão. A ministra Gleisi Hoffmann (PT) chegou a chamar o resultado de “golpe”, após contestar a contagem simbólica de votos e afirmar que a votação foi conduzida de maneira equivocada.
A tensão política dentro da CPMI alimenta a interpretação de que o colegiado deixou de ser apenas uma comissão técnica de investigação para assumir características de espaço de disputa política aberta, sobretudo em um ano eleitoral marcado pela corrida presidencial de 2026 e pela tentativa de opositores de explorar eventuais ligações entre investigados e figuras próximas ao poder político.
Próximos passos da comissão
Com os requerimentos aprovados, a CPMI deve avançar na oitiva de investigados e aprofundar pedidos de informações e documentos para subsidiar as investigações. A estratégia agora passa por ouvir testemunhas e obter acesso às movimentações financeiras detalhadas, incluindo as do filho do presidente, além de avançar em outras convocações já deliberadas pelo colegiado.
A atuação da comissão seguirá sob forte atenção pública e política, e as decisões tomadas nos próximos meses poderão alimentar debates intensos sobre responsabilidade, transparência e influência política no contexto das investigações que cercam um dos maiores escândalos envolvendo o INSS nas últimas décadas.
