Aumento no número de mortos em protestos no Irã alerta ONGs: “massacre”
Com 203 mortos confirmados, os protestos contra o regime de Khamenei cresceram em alcance e violência desde os últimos dias de 2025
Durante este domingo (11), o grupo de direitos humanos HRANA divulgou um novo balanço de mortes nos protestos contra o governo Khamenei, subindo o número de vítimas para mais de 500. Enquanto outras ONGs também reportam e denunciam a violência policial contra manifestantes ao longo das mais de 100 cidades registradas em protestos pelo país, a polícia do regime Khamenei disse que “escalou” sua resposta aos protestos.
O país segue isolado do resto do mundo após aiatolá Ali Khamenei ter cortado a internet, prejudicando o contato direto com outros lugares. O Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI) com base nos Estados Unidos comunicou relatos de corpos sendo amontoados em hospitais e a base norueguesa da mesma ONG afirma que o número real de mortos pode chegar há duas mil pessoas durante esse “assassinato em massa” pelos policiais locais.
Caos e desordem
Ainda neste domingo, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian pediu que a população iraniana mantenha distância dos “terroristas e badernistas”, buscando tratar a situação com diálogo. Em seu discurso, Pezeshkian acusou os EUA e Israel de “semear caos e desordem” no país.
🚨 Protestos por fim de regime de Khamenei mergulham Irã no caos, deixam dezenas de mortos, provocam apagão da internet e elevam tensão com os EUA pic.twitter.com/xZSeSgzuxc
— Metrópoles (@Metropoles) January 9, 2026
Protestos no Irã contra o governo Khamenei (Vídeo: reprodução/X/@Metropoles)
Com ameaças contra Israel e as bases militares estadunidenses no Oriente Médio, o governo iraniano garante um contra ataque caso o país seja alvo de um bombardeio norte-americano. O comunicado veio logo após Donald Trump ameaçar intervir na crise se o regime matar manifestantes pacíficos.
“Em caso de ataque ao Irã, territórios ocupados [por Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA serão nossos alvos legítimos”, afirmou Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do parlamento iraniano.
Ameaças e acusações
Trump chegou a renovar suas ameaças no sábado enfatizando que o Irã está “buscando a liberdade” e que o povo estadunidense está “prontos para ajudar”. Já Pezeshkian afirmou em seu discurso mais recente estar preparado par ouvir seu povo e determinado a resolver as questões econômicas.
Khamenei afirmou na sexta-feira (9) que seu governo “não vai recuar” diante dos protestos generalizados, que desde os últimos dias de 2025 expandiram em proporção e violência. O líder supremo iraniano chamou os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores” durante pronunciamento transmitido pela TV estatal. Os Estados Unidos também foram acusados de incitar os protestos, retrucando que as acusações são puro delírio do regime iraniano.
Os protestos e manifestações acontecendo no presente mantém o Irã em um momento de fragilidade, ocorrido desde a guerra com Israel e os golpes sofridos por alguns aliados regionais. Movimentos dessa magnitude não aconteciam desde 2022, quando a morte de Mahsa Amini trouxe pessoas às ruas após sua prisão por supostamente violar o código de vestimenta feminino.
