Paraguai retoma julgamento de impeachment de Santiago Peña

O presidente deve se defender no Senado após a Câmara aprovar o impeachment; crise começou com o colapso do Ueno Bank, que afetou milhões de correntistas

06 nov, 2026
Santiago Peña | Reprodução/Instagram/@santipenapy
Santiago Peña | Reprodução/Instagram/@santipenapy

O Senado do Paraguai retoma nesta sexta-feira (6) a sessão que analisa o processo de impeachment do presidente Santiago Peña. A audiência está marcada para as 10h, no horário de Brasília, e deve contar com a apresentação da defesa do mandatário, que prometeu responder às acusações com argumentos e provas.

O julgamento teve início na noite de quinta-feira (5), mas foi adiado para esta manhã. A Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura do processo, com 78 votos favoráveis. Peña é acusado de negligência e de possíveis irregularidades relacionadas ao colapso do Ueno Bank, instituição financeira que teve suas operações interrompidas após uma intervenção do Banco Central paraguaio.

Em manifestação publicada nas redes sociais, o presidente afirmou que pretende colaborar com as autoridades e prestar os esclarecimentos necessários. Ele também defendeu que a investigação sobre a crise e as medidas para devolver o dinheiro aos correntistas avancem simultaneamente.

Crise bancária coloca governo sob pressão

A crise teve início após o Banco Central identificar problemas graves de solvência no Ueno Bank, que passou por um processo de intervenção na terça-feira (3). A instituição atendia aproximadamente três milhões de clientes e administrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos de órgãos públicos.

Com a interrupção dos serviços, milhares de paraguaios ficaram sem acesso às próprias contas, incluindo recursos utilizados para pagamentos e despesas cotidianas. O episódio provocou protestos em Assunção e ampliou a pressão sobre o governo.

Peña manteve vínculos com o grupo empresarial controlador do banco até março de 2025, quando se desfez de sua participação acionária. A oposição aponta possível conflito de interesses, uso indevido de recursos previdenciários e favorecimento da instituição por meio de decisões regulatórias.

O presidente nega irregularidades e afirma que os responsáveis por eventuais crimes devem responder à Justiça. A crise também provocou o afastamento do presidente do Banco Central e investigações sobre a administração da instituição financeira.


Matéria do Jornal Nacional explica escândalo que derrubou Santiago Peña no Paraguai (Vídeo: reprodução/Youtube/g1)


Renúncia não encerra impasse político

Na quinta-feira (5), Peña anunciou que apresentaria sua renúncia à Presidência, em meio à perda de apoio dentro do próprio Partido Colorado e ao avanço do processo de impeachment. Entretanto, a saída não foi formalizada pelo Congresso, que manteve a tramitação da destituição.

A possibilidade de renúncia também gerou questionamentos entre parlamentares da oposição, que defendem a continuidade do julgamento. Caso seja afastado pelo Senado, Peña deixará o cargo, e o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do país.

O desfecho do processo ocorre em meio à pressão popular por respostas sobre o colapso bancário e pela recuperação dos valores retidos. Enquanto o Congresso discute a permanência do presidente, milhares de famílias aguardam a normalização do acesso às economias.

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