Aliados de Flávio temem candidatura de Michelle ao Senado

Saída de Michelle da presidência do PL Mulher e atritos com o enteado aumentam pressão para que ela desista da disputa pelo Distrito Federal

02 jul, 2026
Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro | Reprodução: Instagram/@michellebolsonaro/@flaviobolsonaro
Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro | Reprodução: Instagram/@michellebolsonaro/@flaviobolsonaro

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendem nos bastidores do Congresso, desde o início de julho, que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro desista de uma eventual candidatura ao Senado em 2026 por meio de conversas reservadas, motivados pelo receio de que a presença dela na disputa amplie divisões internas e desgaste o parlamentar após atritos públicos entre os dois. A preocupação do grupo político cresceu de forma considerável depois da divulgação de um vídeo no qual Michelle afirmou ter sido “humilhada” pelo enteado devido a fortes divergências políticas.

Crise e desgaste interno

A relação entre os integrantes da família passou a sofrer abalos públicos que preocupam os estrategistas da legenda. A pressão exercida por pessoas próximas ao senador fluminense foca na blindagem de seu capital político, que poderia ser canibalizado ou enfraquecido caso a ex-primeira-dama decida levar adiante o projeto de testar seu nome nas urnas no próximo pleito majoritário.


 Michelle declarou ter sido humilhada pelo enteado após fortes divergências políticas (Vídeo: reprodução/Instagram/@michellebolsonaro)


Interlocutores da legenda apontam que o tensionamento de forças entre a ala mais ideológica e os parlamentares pragmáticos do PL tende a piorar se não houver um alinhamento claro. O temor central é que a exposição de rivalidades domésticas acabe fornecendo munição para os adversários políticos e prejudique as costuras partidárias estaduais que já estão em andamento.

Saída do PL Mulher pesa

A crise ficou mais clara quando Michelle anunciou sua saída da presidência do PL Mulher, cargo que ocupava desde a criação do braço feminino da sigla. Sem um nome de mesmo peso para o posto, o partido extinguiu o comando-geral do órgão, deixando a legenda sem liderança feminina forte a três meses do pleito.


Vários perfis estaduais do PL Mulher usaram as redes sociais para declarar apoio incondicional a Michelle Bolsonaro (Foto: reprodução/Instagram/@plmulherparana)


Apesar disso, aliadas da ex-primeira-dama pedem que ela repense a decisão antes de bater o martelo. Na nota sobre a saída do cargo, Michelle não citou seu futuro eleitoral, mantendo aberta a chance de mudar de ideia em breve. Flávio, por sua vez, tenta se reaproximar e convidou a madrasta para um evento de sua pré-campanha voltado ao público feminino.

Decisão final adiada

Apesar de ter sinalizado que não pretende concorrer ao cargo no momento, Michelle continua sendo pressionada por seus próprios apoiadores a refletir melhor sobre a decisão. Esse grupo de sustentação acredita que o recall político de sua imagem é valioso demais para ser descartado antes do início oficial da campanha eleitoral.

Publicamente, a ex-primeira-dama adota uma postura cautelosa e repete que a palavra final será tomada no momento oportuno, em conjunto com o ex-presidente Jair Bolsonaro. A definição sobre os rumos do partido segue em aberto, mantendo os bastidores de Brasília em constante estado de alerta e negociação.

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