Alcolumbre dificulta o avanço da PEC do fim da escala 6×1

Presidente do Senado trava proposta ao condicionar avanço a encontro com Lula e medida acaba atrasando planos do governo de aprovação antes das eleições

10 jun, 2026
Presidente do Senado, Davi Alcolumbre | Reprodução/Instagram/@davialcolumbre
Presidente do Senado, Davi Alcolumbre | Reprodução/Instagram/@davialcolumbre

O avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho de 6×1 depende agora de uma articulação direta entre os Poderes. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), indicou a pessoas próximas que a matéria só deve caminhar após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para alinhar as prioridades legislativas.

No entanto, como esse encontro ainda não tem uma data definida na agenda oficial, a tramitação da proposta permanece paralisada por tempo indeterminado no Congresso Nacional.

Barreiras criadas por Alcolumbre

A tramitação do texto aprovado pelos deputados em 27 de maio encontra-se aguardando o aval inicial da presidência da Casa para avançar. O projeto precisa ser encaminhado oficialmente por Alcolumbre à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), colegiado sob o comando do senador Otto Alencar. Embora o parlamentar seja alinhado ao governo federal e tenha a clara intenção de dar agilidade à proposta, sua atuação está condicionada a esse despacho prévio. Dessa forma, a proposta permanece em espera na secretaria do Senado.

Somando-se a isso, o cronograma de debates sobre a matéria sofreu novos adiamentos nos últimos dias. A reunião prometida por Davi Alcolumbre com as lideranças partidárias para estabelecer as regras de votação do texto acabou não se concretizando. Para completar o cenário de paralisia, o comandante do Senado cancelou o compromisso agendado com o senador Alencar, no qual debateriam a escolha crucial do parlamentar que ficará responsável pela relatoria da matéria na comissão.


Discurso do senador Otto Alencar sobre o fim da escala 6×1 (Vídeo: reprodução/Instagram/@ottoalencar)


PEC pode ajudar nas eleições

A pressa do Palácio do Planalto em aprovar a medida é justificada por sua grande importância estratégica para a campanha de reeleição do presidente Lula. Como as novas regras entram em vigor apenas 60 dias após a sanção, a meta governista é garantir a votação no Senado antes do recesso parlamentar de julho.

Caso esse cronograma seja cumprido com sucesso, a população já estará usufruindo da nova jornada de trabalho quando for votar no primeiro turno de outubro.

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