Olimpíadas de Inverno de 2026 fica marcada por zebras

Pelos mais variados motivos, atletas favoritos deixam ouro escapar em diversas modalidades; zebras na medalha de ouro é maior que nas Olimpíadas anteriores

17 fev, 2026
Pista de Slopestyle  de snowboard | Reprodução/Pinterest/@LucianoMende7
Pista de Slopestyle de snowboard | Reprodução/Pinterest/@LucianoMende7

Uma edição das Olimpíadas de Inverno costuma ser lembrada por imagens espetaculares: manobras no limite da física, descidas perfeitas e atuações que confirmam o favoritismo dos maiores atletas do planeta. Em Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, porém, o roteiro tem sido bem diferente. Em Milão e Cortina d’Ampezzo, cenas de excelência técnica vêm dividindo espaço com lágrimas, frustração e resultados inesperados — as famosas zebras.

Casos emblemáticos não estão faltando. Ilia Malinin (patinação artística), Atle Lie McGrath e Marco Odermatt (esqui alpino), William Dandjinou (patinação de velocidade) e Nika Prevc (salto de esqui) chegaram à Itália como favoritos ao ouro, mas não conseguiram confirmar o status. Esta é a 25ª edição dos Jogos de Inverno, realizados desde 1924, reunindo cerca de 2.900 atletas, de mais de 90 Comitês Olímpicos Nacionais.

Taxa de zebras em alta

Surpresas sempre fizeram parte do espírito olímpico, mas os números indicam que Milão–Cortina 2026 foge à curva. Projeções históricas de medalhas — feitas desde Pequim 2008 — mostram que, somando Jogos de Verão e de Inverno, 43% dos favoritos costumam confirmar o ouro. Em Pequim 2022 (Inverno), a taxa foi de 42%. Até agora, em 2026, o índice despencou para 31%.


 Apelidado de “deus dos quadruplos”, Malinin deixou Olimpíadas sem sequer um pódio (Foto: reprodução/Getty Images Embed/WANG Zhao)


Outra projeção, da tradicional Sports Illustrated, reforça o cenário: apenas 27% dos atletas apontados como favoritos conquistaram o ouro até aqui. Um dado simbólico desse início imprevisível é que o próprio Estados Unidos encerraram a primeira semana sem subir ao pódio — as medalhas só começaram a aparecer na segunda metade da competição.


 Atle Lie McGrath caminhando para fora da pista após erro na prova de esqui (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Christian Petersen)


Favoritos erram — e perdem

Em algumas provas, o favoritismo parecia absoluto. Na patinação artística, todas as análises apontavam o americano Malinin como imbatível, mas uma apresentação marcada por erros o deixou apenas na oitava colocação. No esqui alpino masculino, McGrath, líder do ranking mundial, cometeu um erro decisivo na segunda descida quando se aproximava do ouro. A frustração foi tamanha que o norueguês arremessou os bastões, rompeu a proteção da pista em Bormio e deixou o local caminhando sem rumo, antes de se deitar na neve.

Na patinação de velocidade, Dandjinou ficou fora do pódio nos 1.000 m e 1.500 m, provas nas quais era favorito. Os ouros ficaram com o holandês Jens van ’t Wout. O canadense ainda pode se redimir nos 500 m. Já o suíço Odermatt, que sonhava com três ouros individuais e um por equipes, deixou os Jogos com duas pratas e um bronze.

No salto de esqui feminino, Prevc chegou como campeã mundial das duas provas individuais, mas saiu de Milão–Cortina com o ouro apenas por equipes. Individualmente, foi bronze na prova longa e prata na curta.

Até o momento, 74 das 116 medalhas de ouro já foram distribuídas, cerca de dois terços do programa. Ainda há espaço para reviravoltas, mas a tendência desta edição é clara: as zebras têm sido protagonistas, transformando Milão–Cortina 2026 em uma das Olimpíadas de Inverno mais imprevisíveis da história. Os Jogos se encerram no dia 22 de fevereiro.

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