Trump chama Hunter Hess de perdedor após desabafo de representar os EUA em Milão
Em entrevista coletiva, o esquiador americano disse que “é um pouco difícil” representar o país no momento atual e foi criticado por Trump
A declaração do esquiador norte-americano Hunter Hess sobre a dificuldade de representar os Estados Unidos no atual contexto político gerou forte repercussão, e provocou uma resposta direta do presidente Donald Trump. No último domingo (8), Trump criticou o atleta nas redes sociais e o chamou de “perdedor”, após comentários feitos por Hess durante uma entrevista coletiva nas Olimpíadas de Inverno, disputadas em Milão.
A polêmica se soma a outras manifestações recentes de atletas da delegação norte-americana, que vêm demonstrando desconforto com o cenário político do país. Nas últimas semanas, a presença de agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) nos Jogos também causou protestos entre competidores e membros da comunidade esportiva.
O que disse Hunter Hess
Durante entrevista à imprensa, Hunter Hess afirmou que sente conflito ao representar os Estados Unidos neste momento histórico, destacando que sua motivação pessoal vai além do governo ou das decisões políticas do país.
“Obviamente, há muita coisa acontecendo da qual não sou muito fã, e acho que muita gente também não é. Para mim, trata-se mais de representar meus amigos e familiares, as pessoas que estiveram antes de mim e tudo aquilo que acredito ser bom nos Estados Unidos. Só porque carrego a bandeira não significa que represento tudo o que acontece no país”, disse o atleta.
Na mesma coletiva, o companheiro de equipe Chris Lillis, também do esqui freestyle, reforçou o sentimento ambíguo em relação ao momento vivido pelos EUA.
“Estou com o coração partido pelo que está acontecendo nos Estados Unidos. Como país, precisamos focar em respeitar os direitos de todos e tratar as pessoas com amor e dignidade. Espero que, ao verem os atletas competindo, as pessoas entendam que essa é a América que estamos tentando representar”, afirmou o esquiador de 27 anos.
Além deles, as snowboarders Bea Kim, Maddie Mastro e Chloe Kim também se manifestaram, dizendo sentir orgulho de defender o país, mas reconhecendo que tristeza e preocupação coexistem diante do atual cenário político. As atletas ressaltaram a importância da diversidade e dos valores olímpicos como pilares do esporte.
Speaking at a press conference in Milan, Team USA freestyle skiers Chris Lillis and Hunter Hess said the actions of ICE agents do not reflect the country they represent https://t.co/w4qci0dk8g pic.twitter.com/3I9rVnB1Hd
— Reuters (@Reuters) February 6, 2026
Entrevista coletiva com Hunter Hess e Chris Lillis, em Milão (Vídeo: reprodução/X/@Reuters)
Reação de Trump e aliados
As declarações dos atletas foram alvo de críticas de Donald Trump e de figuras ligadas ao conservadorismo nos Estados Unidos. Um dos que se manifestaram foi o influenciador e boxeador Jake Paul, que escreveu nas redes sociais:
“Por favor, cale a boca em nome de todos os verdadeiros americanos. Se você não quer representar este país, vá morar em outro lugar.”
Trump foi ainda mais direto ao atacar Hess em sua rede social, a Truth Social:
“O esquiador olímpico americano Hunter Hess, um verdadeiro perdedor, diz que não representa seu país nestas Olimpíadas de Inverno. Se for esse o caso, ele nunca deveria ter tentado entrar para a equipe. É uma pena que esteja nela. É muito difícil torcer por alguém assim. FAÇA A AMÉRICA GRANDE NOVAMENTE!”, escreveu o presidente.
Trump no salão Oval da Casa Branca (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Alex Wong)
Protestos e presença do ICE
Na última semana, os Jogos Olímpicos de Inverno foram palco de protestos contra a presença de agentes do ICE e da Patrulha de Fronteiras, convocados para auxiliar na segurança da delegação norte-americana. A atuação dessas agências tem sido alvo de críticas nos Estados Unidos por operações consideradas truculentas contra imigrantes, intensificadas desde o retorno de Trump à Casa Branca.
Em resposta às manifestações, o embaixador dos EUA na Itália e em San Marino, Tilman J. Fertitta, divulgou um comunicado afirmando que os agentes presentes nos Jogos pertencem ao braço investigativo do Departamento de Segurança Interna e atuam de forma “estritamente consultiva e baseada em inteligência”, sem envolvimento direto em patrulhamento ou ações de aplicação da lei.
O tema ganhou ainda mais peso após a morte de dois cidadãos americanos durante uma operação de imigração em Minneapolis no mês passado, episódio que gerou protestos e uma crise entre autoridades federais e locais.
