NFL: cultura latina ganha destaque no show de Bad Bunny no Super Bowl
Performance majoritariamente em espanhol marcou o evento com simbolismo, referências às raízes latinas e celebração da diversidade cultural no palco da NFL
A identidade latino-americana ocupou o centro do maior palco esportivo do planeta durante o show do intervalo do Super Bowl LX, realizado neste domingo (8). Responsável pela apresentação, o cantor porto-riquenho Bad Bunny levou ao público um espetáculo que combinou música, performance cênica e referências culturais, transformando o gramado do Levi’s Stadium, na Califórnia, em uma vitrine da diversidade latina. O reggaeton, ritmo que marcou sua trajetória, deu o tom de uma apresentação vibrante, marcada por simbolismo e participações especiais.
Espanhol, narrativa visual e afirmação cultural
Fiel à sua proposta artística, Bad Bunny conduziu praticamente todo o show em espanhol, reforçando a valorização de suas origens diante de uma audiência global. A apresentação teve início logo após o intervalo da partida entre New England Patriots e Seattle Seahawks, com um palco montado rapidamente no centro do campo. Em cerca de 13 minutos, Benito entregou uma sequência de músicas que misturou sucessos comerciais e faixas mais recentes, sempre acompanhadas de coreografias precisas e cenários elaborados.
A ambientação do show dialogou diretamente com seu álbum Debí Tirar Más Fotos, trabalho que lhe rendeu o Grammy de Melhor Álbum em 2025. A abertura aconteceu em meio a uma plantação cenográfica, enquanto o artista interpretava “Tití Me Preguntó”. Ao longo da performance, surgiram diversas referências à cultura latina, incluindo a encenação de um casamento tradicional, que serviu de transição para “Yo Perreo Sola”. Em outro momento marcante, Bad Bunny subiu ao telhado de uma casa cenográfica que acabou “cedendo”, uma cena coreografada que reforçou o caráter teatral e narrativo do espetáculo.
Convidados especiais e um encerramento simbólico
O show ganhou novos contornos com a entrada surpresa de Lady Gaga, que dividiu o palco com Bad Bunny em “Die With a Smile”, parceria com Bruno Mars apresentada em versão com elementos de salsa. Foi a única música interpretada em inglês durante todo o intervalo. Na sequência, o cantor retomou o protagonismo com “BAILE INoLVIDABLE” e “NUEVAYoL”, preparando o público para a participação do também porto-riquenho Ricky Martin, que se juntou a ele em “LO QUE LE PASÓ A HAWAii”.
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Participação de Lady Gaga no show (Vídeo: reprodução/Instagram/@ladygaga)
O ponto alto ficou reservado para o final da apresentação. Em um gesto carregado de significado, Bad Bunny entregou a uma criança o troféu do Grammy recebido na semana anterior, em uma cena que simbolizou o diálogo entre o artista consagrado e o menino que sonhava em ocupar aquele espaço. Em seguida, figurantes entraram em campo carregando bandeiras de diversos países do continente americano, enquanto o cantor citava nações das Américas, incluindo o Brasil. Para encerrar, “DtMF” foi executada como síntese emocional do espetáculo.
Embora já tivesse participado do show do intervalo em edições anteriores como convidado, foi nesta edição que Bad Bunny assumiu, pela primeira vez, o posto de atração principal do Super Bowl. A apresentação consolidou sua posição como um dos principais nomes da música global e reforçou o espaço da cultura latina em um evento historicamente dominado por artistas do mercado anglófono.
