Principais TVs dos EUA suspendem cobertura conjunta de Trump após bloqueio a jornalistas na Casa Branca
ABC, CBS, CNN, NBC e Fox News paralisam pool de imprensa; Fox News surpreende ao aderir ao protesto contra restrições de Trump
Cinco das maiores redes de televisão dos Estados Unidos suspenderam nesta segunda-feira (21) a cobertura conjunta da Casa Branca após Donald Trump banir jornalistas de três veículos. ABC, CBS, CNN, NBC e Fox News paralisaram o pool de imprensa, sistema cooperativo em que as emissoras se revezam na captura de imagens de atos presidenciais.
O pool funciona como uma cobertura compartilhada de eventos na Casa Branca. As cinco redes se revezam na captura de imagens, que são depois distribuídas entre elas e também repassadas para emissoras de televisão locais dos Estados Unidos. Segundo dados do G1, o sistema permite que diversos veículos cobrem simultaneamente pronunciamentos do governo sem que todos precisem ter repórteres e cinegrafistas no local.
O que é o pool de imprensa
Tradicionalmente, jornalistas de diferentes veículos dos Estados Unidos e do mundo têm acesso regular aos setores de imprensa da Casa Branca. Eles acompanham entrevistas coletivas, pronunciamentos e anúncios realizados no Salão Oval e em outros espaços da residência oficial do presidente. O pool de imprensa funciona como uma divisão de trabalho: cada rede fica responsável por capturar as imagens em determinadas datas, e esse material é compartilhado com todos os participantes do sistema.
Cronologia do conflito
Trump anunciou na sexta-feira (18) a proibição de acesso de três veículos à Casa Branca: CNN, MS NOW e Politico. No sábado (19), funcionários do governo Trump apreenderam os crachás de jornalistas da CNN e MS NOW, impedindo o acesso desses profissionais aos setores de imprensa da residência presidencial.
Na segunda-feira (21), dia em que o turno de cobertura cabia à CNN, não houve imagens do pool. O desfalque pode afetar a cobertura de eventos presidenciais nos próximos dias, incluindo a agenda paralela à Assembleia Geral da ONU que Trump realizará na Casa Branca.
Veículos banidos
- CNN é uma das principais redes de televisão dos Estados Unidos
- MS NOW é um canal de notícias por assinatura de viés liberal
- Politico é um site especializado na cobertura política do país
Trump alegou, sem provas, que combatia fake news publicadas pelas empresas. Os três veículos negaram as acusações. Segundo observações de analistas, esses três veículos de comunicação costumam fazer cobertura mais crítica ao governo dos Estados Unidos.
Principais TVs dos EUA suspendem cobertura conjunta de Trump após CNN ser barrada da Casa Branca (Vídeo: reprodução/YouTube/UOL)
Impacto da suspensão
CNN, MS NOW e Politico entraram com processo contra o governo Trump na segunda-feira (21). Exigem que a proibição seja derrubada e os crachás dos jornalistas sejam devolvidos. Os veículos afirmam que a medida representa violação da Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de imprensa.
As cinco emissoras que suspenderam o pool emitiram comunicado conjunto condenando a restrição:
“O público tem um interesse vital em receber informações precisas e independentes sobre o seu governo. Nenhuma administração deve restringir uma organização de notícias por discordar de suas reportagens”
Bryan Boughton, chefe da Fox News em Washington, informou sobre a suspensão: “Informamos que, a partir de hoje, o pool de emissoras de TV não fará a cobertura de eventos designados como cobertura em ‘pool’ do Presidente”
Posicionamento das emissoras
A adesão da Fox News ao boicote surpreendeu observadores, já que a emissora é tradicionalmente aliada do governo Trump. Mesmo assim, Boughton respaldou a medida de suspensão e assinou o comunicado conjunto das cinco emissoras condenando a restrição de acesso.
Esta não é a primeira restrição do governo Trump. Segundo o G1, seu governo já limitou o acesso da agência Associated Press no ano passado. A Casa Branca tem aberto mais espaço para veículos alinhados ideologicamente com a administração.
Resposta de Trump
Trump negou que sua ação mire a liberdade de imprensa. Em declaração em sua rede social Truth Social, afirmou que sua intenção foi combater fake news. Não apresentou provas de notícias falsas publicadas pelos veículos banidos.
Na mesma rede, Trump ampliou a justificativa: “A Casa Branca não está promovendo um ataque à imprensa livre, algo que eu valorizo. Ela está promovendo um ataque às FAKE NEWS, algo que cresceu como um câncer em nossos amados Estados Unidos da América. Elas são corruptas, intencionais, disseminadas, totalmente coordenadas e completamente fora de controle. São uma ameaça à nossa segurança nacional e precisam ser detidas, AGORA!”
