Canadá busca “aliança única” com UE em meio à tensão com os EUA
Negociações envolvem circulação de bens e trabalhadores; projetos de inteligência artificial estão entre os principais temas do debate comercial
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, declarou que o país pretende realizar discussões para construir uma “aliança única” com a União Europeia, sem buscar uma integração que transforme o Canadá em membro do bloco. A declaração acontece dentro do agravamento das relações comerciais com os Estados Unidos e da intenção de Ottawa de fortalecer suas parcerias com outros parceiros.
A possibilidade de uma associação entre Canadá e União Europeia foi publicada pelo Wall Street Journal. O jornal relata que os europeus estariam dispostos a criar uma categoria inédita de membro associado para o país norte-americano. O formato ainda precisaria ser preparado e não há definição sobre como essa relação seria classificada.
Canadá amplia aproximação
Carney afirmou que Canadá e União Europeia possuem valores, prioridades e forças considerados complementares. A aproximação deverá dar um passo a mais na próxima semana, quando o premiê viajar para a França e ao Reino Unido.
Durante a agenda europeia, o primeiro-ministro canadense fará um discurso no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, e assistirá à apresentação sobre o Estado da União Europeia feita pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. As conversas entre Ottawa e o bloco contêm diferentes temas, como a facilitação da circulação de bens, serviços e trabalhadores, além de iniciativas relacionadas a energia, inteligência artificial, defesa e minerais críticos.
Canadá pondera estatuto de “membro associado” da UE em clima de tensão com EUA, segundo o WSJ | Euronews https://t.co/7XqsnAVJni
— Manuel🏆39°🦅40°🏆🟩🟡🟥 (@ateao39) September 13, 2026
Canadá analisa formar aliança única com União Europeia (Foto: reprodução/X/@ateao39)
Além desses pontos, também há discussões sobre projetos de infraestrutura, incluindo a instalação de cabos submarinos, construção de centros de dados, aumento de sistemas de armazenamento em nuvem e criação de novas redes de satélite. Outro objetivo debatido é ampliar investimentos para permitir a exportação de energia canadense para a Europa.
Carney mantém contatos frequentes com autoridades europeias, principalmente com o presidente francês Emmanuel Macron. Alguns dos assuntos discutidos está a chance de autorizar os canadenses a viver e trabalhar em países da União Europeia sem precisar de visto.
Pressão comercial aumenta
A iniciativa acontece em um período de forte briga comercial entre Canadá e Estados Unidos. Desde que Donald Trump voltou para a presidência estadunidense, as relações entre os dois países se complicaram graças as divergências sobre comércio e outras questões.
Graças a essa disputa, foram aplicadas tarifas sobre dezenas de bilhões de dólares em trocas comerciais. Neste domingo, o presidente voltou a criticar o Canadá, afirmando que o país é “o pior para negociar”, mesmo tendo dito acreditar que os canadenses querem chegar a um acordo. O presidente americano também reafirmou que quer aplicar novas tarifas sobre carros, caminhões e autopeças canadenses a partir de 1º de janeiro.
Mesmo com o interesse em aprofundar a relação com a Europa, a iniciativa tem possíveis desafios. A própria experiência do acordo comercial entre Canadá e União Europeia mostra a dificuldade de prosseguir com esse tipo de negociação: mais de dez anos depois de sua assinatura e nove anos depois da entrada em vigor provisória, o tratado ainda não foi confirmado por alguns países do bloco.
A União Europeia também não confirmou de forma oficial a proposta de criar o status de membro associado. O The Globe and Mail informou que a expressão teria vindo do próprio bloco, e não de Carney. A Comissão Europeia não respondeu aos pedidos de comentário.
