EUA classificam como “invenção” suposto rascunho de acordo com o Irã

Casa Branca afirmou que reportagens divulgadas pela mídia estatal iraniana sobre um suposto memorando de acordo com o Irã não correspondem à realidade

27 maio, 2026
Bandeira dos EUA | Reprodução/X/@MonitorMercado
Bandeira dos EUA | Reprodução/X/@MonitorMercado

A Casa Branca rebateu, nesta quarta-feira (27), reportagens divulgadas pela mídia estatal iraniana sobre um suposto rascunho de acordo entre Estados Unidos e Irã, classificando as informações como uma “completa invenção”. Em publicação nas redes sociais, a equipe de Resposta Rápida da Casa Branca afirmou que o memorando divulgado pela imprensa ligada ao governo iraniano não existe e pediu que o conteúdo não fosse levado como verdadeiro.

Segundo os veículos estatais do Irã, o suposto entendimento previa a retirada de forças militares americanas das proximidades do território iraniano, além do fim do bloqueio aos portos do país.

Parte das informações divulgadas pela mídia iraniana coincide com declarações feitas anteriormente por autoridades americanas sobre as negociações em andamento. Integrantes do governo dos Estados Unidos afirmaram que o presidente Donald Trump estaria disposto a flexibilizar o bloqueio, desde que o Irã garantisse a livre circulação de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz.

Em resposta à reportagem exibida pela TV estatal iraniana, a porta-voz da Casa Branca, Olivia Wales, afirmou que as negociações avançam de forma positiva, mas ressaltou que o presidente Donald Trump mantém posições consideradas inegociáveis. Segundo ela, qualquer acordo firmado deverá garantir que o Irã nunca desenvolva armas nucleares.

A IRIB, emissora responsável pela divulgação das informações, é vista como um veículo alinhado aos setores mais linha-dura do regime iraniano.

Articulação por consenso

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convocou uma reunião de gabinete na Casa Branca para esta quarta-feira (27), enquanto seguem as negociações diplomáticas mediadas pelo Paquistão. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que ainda existem divergências entre os dois lados sobre pontos específicos do possível acordo.

Nos últimos dias, Trump declarou que as negociações avançam de forma “ordenada e construtiva”, mas ressaltou que os Estados Unidos não pretendem acelerar um entendimento sem garantias concretas.

Mesmo com o avanço das tratativas diplomáticas, a tensão permanece elevada na região. O governo do Irã acusou os Estados Unidos de violarem repetidamente o cessar-fogo e realizarem ataques contra embarcações mercantes iranianas e áreas próximas ao Estreito de Ormuz. Segundo Teerã, as ações demonstram “engano e traição” por parte de Washington.

Os Estados Unidos confirmaram operações classificadas como ações de “autodefesa” contra posições iranianas próximas ao estreito, alegando a necessidade de proteger tropas americanas posicionadas na região.


Donald Trump, presidente dos Estados Unidos (Foto: reprodução/Instagram/@realdonaldtrump)


Estágios das negociações

Segundo autoridades do Irã, as negociações já avançaram em diversos pontos e um possível memorando de entendimento teria cerca de 14 tópicos principais praticamente alinhados. Ainda assim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, afirmou que isso não significa que um acordo definitivo esteja próximo de ser concluído.

A proposta discutida entre os dois lados prevê uma redução gradual das hostilidades e estabelece um prazo de até 60 dias para aprofundar negociações sobre temas considerados mais delicados, principalmente o programa nuclear iraniano.

Em entrevista à agência iraniana ISNA, o diplomata Hossein Nooshabadi afirmou que o possível acordo preliminar incluiria o encerramento dos conflitos em diferentes frentes, incluindo o Líbano, além da liberação de ativos iranianos bloqueados, o fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos, a reabertura do Estreito de Ormuz, a retirada de tropas americanas das proximidades do Irã e a retomada da venda de petróleo iraniano no mercado internacional.

Segundo Nooshabadi, o texto preliminar não trata diretamente do programa nuclear iraniano, justamente um dos pontos de maior divergência entre Teerã e Washington.

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