Escassez de memória ameaça desempenho de notebooks

Fabricantes avaliam lançar notebooks com apenas 8 GB de RAM em 2026, pressionados pela escassez de memória causada pela demanda da IA.

17 dez, 2025
Memórias RAM | Reprodução/X/@canaltech
Memórias RAM | Reprodução/X/@canaltech

Após anos de evolução gradual nas configurações mínimas de computadores pessoais, o mercado de notebooks pode enfrentar um freio inesperado em 2026. Fabricantes avaliam voltar a lançar modelos com apenas 8 GB de memória RAM, uma quantidade que, para muitos usuários, já não atende às exigências do uso cotidiano moderno.

A mudança não está ligada a uma decisão técnica, mas a um problema estrutural na indústria global de semicondutores, que vem redirecionando esforços para atender à crescente demanda por inteligência artificial.

IA pressiona indústria e muda prioridades

O avanço acelerado de sistemas de inteligência artificial transformou a memória em um ativo estratégico. Grandes fabricantes de chips passaram a priorizar a produção de memórias HBM (High Bandwidth Memory), essenciais para servidores de alto desempenho e data centers que sustentam modelos de IA generativa.

Esse movimento, no entanto, reduziu a disponibilidade de memórias tradicionais, como DDR5 e LPDDR5, utilizadas em notebooks e PCs domésticos. Com menos oferta no mercado, os preços sobem, e os fabricantes precisam escolher entre encarecer os produtos ou cortar especificações.

Corte de custos pode recair sobre o consumidor

Para manter notebooks competitivos em preço, principalmente nos segmentos de entrada e intermediário, algumas marcas avaliam reduzir a memória padrão para 8 GB, mesmo em máquinas lançadas nos próximos anos. A estratégia evita repasses diretos de custo, mas pode comprometer a experiência, do usuário.

Hoje, sistemas operacionais, navegadores, aplicativos de trabalho e até tarefas simples de multitarefa já consomem volumes significativos de RAM. Em muitos cenários, 8 GB representam o limite mínimo de funcionamento aceitável, não de conforto.


Notebook com 8 GB de RAM (Foto: reprodução/X/@programador_who)


Desempenho menor em um mundo mais exigente

O possível retorno desse padrão acontece em um momento contraditório: softwares estão mais pesados, sistemas operacionais mais complexos e o uso simultâneo de aplicações se tornou regra. Edição de imagens, vídeos, jogos, reuniões online e até o uso intenso do navegador podem sofrer quedas perceptíveis de desempenho em máquinas com memória limitada.

Especialistas apontam que a tendência pode encurtar a vida útil dos notebooks, forçando upgrades mais cedo ou levando usuários a trocar de equipamento em menos tempo.

O cenário não é isolado. A pressão sobre a cadeia de suprimentos de memória deve afetar preços de eletrônicos em diversos países, incluindo o Brasil, onde o custo final já é impactado por impostos, câmbio e logística. A combinação desses fatores pode resultar em notebooks mais caros e, paradoxalmente, menos potentes.

O que esperar 

Para o consumidor, o momento exige atenção. Modelos com 16 GB de RAM, especialmente aqueles que permitem expansão, tendem a se tornar mais valorizados. Já para a indústria, o desafio será equilibrar custo, desempenho e expectativa do público em um mercado cada vez mais competitivo.

Enquanto a inteligência artificial avança em ritmo acelerado, o computador pessoal, ferramenta central do trabalho e do lazer, pode pagar parte dessa conta.

Mais notícias