Tecnologia médica brasileira ganha força e amplia competitividade global

Indústria brasileira de dispositivos médicos aposta em inovação nacional para reduzir importações, fortalecer o SUS e ampliar sua competitividade global

16 dez, 2025
Pesquisador da área de tecnologia médica |  Reprodução/Luis Alvarez/ Getty Images Embed
Pesquisador da área de tecnologia médica | Reprodução/Luis Alvarez/ Getty Images Embed

A indústria de dispositivos médicos aposta cada vez mais em tecnologia desenvolvida no Brasil como estratégia para diminuir a dependência de produtos importados, fortalecer o SUS e ampliar sua presença no mercado global. O movimento é impulsionado por mudanças regulatórias e por uma nova política industrial que reposiciona o setor como ativo estratégico.

Segundo a Abimo (Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos), o segmento foi incluído entre os pilares da Política Industrial da Saúde, lançada pelo Governo Federal para incentivar a produção nacional de tecnologias críticas, reduzir vulnerabilidades na cadeia de suprimentos e ampliar a autonomia do sistema público de saúde.

Exportação e competitividade

O cenário também tem sido favorecido pela equiparação tributária prevista na Reforma Tributária, que tende a corrigir uma distorção histórica: hospitais públicos e filantrópicos passarão a ter alíquota zero também na compra de dispositivos médicos nacionais — benefício que hoje se aplica majoritariamente a produtos importados.

Os números indicam avanço consistente. Segundo a Abimo, a indústria brasileira de dispositivos médicos já exporta para mais de 180 países, com presença crescente em mercados altamente regulados como Europa e Ásia. Entre janeiro e agosto deste ano, as exportações somaram US$ 761,6 milhões, alta de 6,8% em relação ao mesmo período de 2024. O crescimento foi registrado em todos os segmentos: reabilitação (+26,6%); odontologia (+8,1%) e laboratório (+6,3%)


Tarifaço do governo americano aumentou em até 30% importação de insumos médicos (Vídeo: reprodução/YouTube/@cnnbrasilmoney)


Para Larissa Gomes, gerente de Projetos e Marketing da Abimo, o desempenho comprova que o país já disputa espaço em nichos de alta complexidade. “Há empresas brasileiras operando em mercados como China e Estados Unidos. Em alguns casos, apenas cinco fabricantes no mundo têm registro para determinados produtos”, afirma.

Inovação como estratégia

O setor movimenta mais de US$ 10 bilhões por ano e vem ganhando reconhecimento internacional pela maturidade tecnológica e regulatória. Para a Abimo, o conceito de Tecnologia Médica Made in Brazil vai além da substituição de importações: trata-se de transformar inovação local em vantagem competitiva global.

O objetivo não é autossuficiência isolada, mas competitividade. Para isso, o setor público precisa voltar a ser comprador. Sem escala e demanda interna, fica difícil sustentar inovação”, destaca Gomes.

A aposta agora é que o novo arcabouço industrial e tributário crie um ambiente mais equilibrado, estimule investimentos e consolide o Brasil como fornecedor relevante de tecnologia médica no cenário internacional.

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