Autoridades descartam risco de epidemia de febre do Nilo em SP mas mantêm monitoramento dos casos no Estado
Coordenadora da Vigilância em Saúde avalia cenário atual da doença, destaca importância de monitorar os casos e explica como funciona a vigilância no Estado
Regiane de Paula, coordenadora em saúde do estado de SP, explicou a decisão de incluir a febre do Nilo no painel viral de arboviroses realizado rotineiramente em todas as unidades sentinela de saúde. Segundo a especialista, o motivo é monitorar a distribuição da doença.
“A nossa preocupação é já estarmos preparados e colocarmos no painel um outro vírus para que possamos monitorar a distribuição (da doença) em todo o território. Mas não há preocupação em relação a uma possível epidemia “, declarou.
Nos últimos meses foram confirmados os dois primeiros casos no estado de São Paulo, ambos em cidades do interior, Ribeirão Preto e Rio Preto. Outros dois casos foram oficializados em Santa Catarina, nas cidades de Imbituba e Caçador, com o segundo caso evoluindo para óbito.
Como o vírus passou a circular em SP
A febre do Nilo é uma doença transmitida pela picada do mosquito Culex, o pernilongo comum. Algumas espécies de aves silvestres são os principais animais que abrigam o vírus do Nilo Ocidental. Os pernilongos picam essas aves, se contaminam e passam a transmitir a doença.
Mosquito Culex (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Smith Collection/Gado)
Segundo Regiane, aves migratórias vindas da Argentina percorrem uma rota que passa por Santa Catarina e São Paulo. .
“Quando falamos de aves migratórias, temos que lembrar que está acontecendo o El Niño e há previsão de um super El Niño, então existem características dessas aves migratórias que estão se diferenciando. Eu preciso montar uma vigilância em saúde que me dê condições de avaliar o que está acontecendo no território”, explica a coordenadora da Vigilância em Saúde do estado de SP.
“Esse é um procedimento de vigilância em saúde. Frente a esses dois novos casos que tivemos no estado, decidimos colocar a febre do Nilo como sendo um diagnóstico diferencial nesses sentinelas”, acrescenta.
Como funcionam as unidades sentinela
Em 2024, durante uma epidemia de dengue que atingiu diversas regiões do Brasil, São Paulo iniciou um sistema com 73 unidades sentinela. As estruturas, que podem funcionar em UBSs, hospitais ou UPAs, foram distribuídas a partir de uma estratégia do estado para realizar a investigação de casos de dengue, zika, chikungunya, Mayaro, Oropouche e febre amarela.
“Um paciente que chega em uma dessas sentinelas com sinais e sintomas de arbovirose é submetido a uma coleta de amostras que é enviada para testagem no Instituto Adolfo Lutz”, explica Regiane. “Agora, vamos fazer todos esses painéis virais, mais a febre do Nilo.” Afirma Tatiana Lang, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo.
