Ataques russos à Ucrânia deixam 24 mortos e dezenas de feridos em dois dias
Ofensivas realizadas na quarta, 5, e quinta-feira, 6, atingiram áreas residenciais na Ucrânia; Zelenskyy afirmou que a falta de munições impediu a defesa contra os mísseis
Durante a madrugada desta quinta-feira, 6, Rússia e Ucrânia voltaram a trocar bombardeios, resultando na morte de sete pessoas e deixando mais de 30 feridos no fogo cruzado entre os dois países.
Os ataques russos atingiram as cidades ucranianas de Balakliia, Sumy e Kherson. Em Balakliia, os bombardeios tiveram como alvo áreas residenciais e deixaram três mortos durante a madrugada.
Em Kiev, na madrugada da quarta-feira, 5, o bombardeio russo já havia deixado 17 mortos e dezenas de pessoas feridas. Além disso, os ataques destruíram armazéns e centros logísticos ucranianos, causando incêndios de grandes proporções.
Rússia ataca cidades e navios na Ucrânia
Na cidade de Sumy, ao menos 31 pessoas ficaram feridas e outras três morreram. Já em Kherson, um ataque com drone contra uma van deixou seis feridos, de acordo com informações divulgadas pela polícia ucraniana e pela administração regional.
Além disso, segundo a agência de notícias russa TASS, Moscou também bombardeou, na noite de quarta-feira, 5, dois navios cargueiros no porto ucraniano de Odesa. As embarcações foram alvo dos ataques por transportarem cargas destinadas ao uso militar.
Durante a ofensiva, os russos também atingiram um navio estrangeiro da Guiné-Bissau que navegava pelo Mar Negro carregado com trigo. Uma pessoa morreu no ataque, que também provocou um incêndio na embarcação, segundo o governador de Odesa, Oleh Kiper.
Incêndio causado por bombardeio russo em Kiev, capital da Ucrânia, em 05 de agosto (Foto: reprodução/AFP/Evgen Kotenko/Getty Images Embed)
Na manhã desta quinta-feira, equipes de resgate trabalharam na remoção de escombros e no combate aos incêndios provocados pelos bombardeios nas cidades ucranianas.
Empresa russa volta a ser alvo de ataques ucranianos
A Rússia, porém, também foi alvo de ataques. Nesta quinta-feira, o governador da região de Tver informou que a fachada do centro logístico da empresa Wildberries foi danificada pelos destroços de um drone ucraniano abatido na região.
O ataque faz parte de uma série de bombardeios contra instalações da varejista on-line russa. Desde 18 de julho, pelo menos 20 armazéns da empresa foram atingidos, deixando alguns feridos.
Na última segunda-feira, 3, a Ucrânia havia enviado drones contra um centro logístico da companhia na região de Vladimir, localizada a cerca de 200 quilômetros de Moscou. O ataque provocou um incêndio, obrigando a empresa a retirar os funcionários às pressas.
Para garantir o fluxo normal das entregas, as operações logísticas foram transferidas para outros armazéns da empresa. Na ocasião, um jovem sofreu um ferimento na cabeça, enquanto uma moradora das proximidades relatou ter tido ferimentos leves em uma das pernas.
Defesa aérea ucraniana enfrenta falta de munição
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, afirmou em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, 6, que o país não conseguiu interceptar nenhum dos mísseis russos lançados no ataque. Segundo ele, a Ucrânia enfrenta escassez de munições para a defesa aérea e, caso dispusesse de mais interceptadores, mais vidas poderiam ter sido salvas.
Conforme apurado pelo jornal O Globo, o governo ucraniano tenta convencer os Estados Unidos a autorizarem a fabricação de munições para os sistemas antiaéreos Patriot.
Cidade de Sumy tem construções destruídas após bombardeio russo (Foto: reprodução/Global Images Ukraine/Getty Images Embed)
A medida permitiria à Ucrânia planejar melhor sua estratégia de defesa e manter estoques próprios de interceptadores, reduzindo a dependência da ajuda de aliados, que hoje precisam ceder parte de seus arsenais para abastecer o país.
O cenário, no entanto, segue desfavorável para Kiev. Com o envolvimento dos Estados Unidos no conflito com o Irã nos últimos meses, os estoques de interceptadores também passaram a preocupar Washington. Além disso, o presidente Donald Trump tem demonstrado resistência em declarar apoio aberto à Ucrânia.
