Síria busca acordo de segurança com Israel em meio a tensões diplomáticas
Damasco tenta retomar o diálogo com Israel, mas ataques recentes e divergências sobre a presença turca dificultam as negociações entre os países
Após a queda do governo de Bashar al-Assad, na Síria, em dezembro de 2024, as relações entre Israel, Síria e Turquia vem ganhando novos desdobramentos. As últimas atualizações sobre o caso geram expectativa para um possível acordo de segurança entre os países.
Negociações
Segundo um alto integrante do governo sírio, Damasco busca um entendimento que resulte na retirada das forças israelenses de territórios sírios. O ministro também pediu que Israel aproveite o que classificou como uma “oportunidade histórica”, enquanto a via diplomática permanece aberta para avançar nas negociações.
O governo sírio afirma que a interrupção dos ataques de Israel é condição essencial para a retomada do diálogo entre os dois países. Em entrevista à Reuters, realizada em Damasco no sábado (22), o ministro das Relações Exteriores, Asaad al-Shaibani, defendeu a adoção de medidas capazes de reduzir as tensões e criar um ambiente favorável às negociações.
A declaração ocorreu poucos dias depois de um bombardeio israelense atingir uma base aérea na Síria. Paralelamente, os Estados Unidos vêm tentando aproximar os dois governos há mais de um ano, em busca de um acordo de segurança entre Israel e a administração do presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, que passou a ser visto por Washington como um novo aliado estratégico no Oriente Médio.
No entanto, as negociações enfrentam obstáculos, em meio à presença de tropas israelenses em território sírio e a ataques contra instalações do governo. Em contrapartida, Israel afirma que as ações são necessárias para responder a ameaças à sua segurança. Em uma declaração fornecida pelo ministro das Relações Exteriores, Asaad al-Shaibani, foi dito: “Acreditamos que deve haver contato, especialmente com uma parte que ameaça constantemente a segurança da Síria. Mas, se esse contato não trouxer resultados, então não precisamos dele… Atualmente, não confiamos em Israel.”
Desdobramentos
Diante desse cenário hostil, Sharaa afirmou que a Síria não constitui uma ameaça para outras nações e que o governo está concentrado na reconstrução do país após 14 anos de guerra. Desde a queda de Bashar al-Assad, em 2024, autoridades israelenses passaram a alertar sobre possíveis riscos vindos do território sírio. Parte dos integrantes do governo de Israel chegou a classificar os novos governantes como jihadistas disfarçados, enquanto Sharaa buscava estreitar os laços diplomáticos com os Estados Unidos.
Após a derrubada de Assad, Israel avançou sobre áreas do sudoeste da Síria, justificando a medida como necessária para proteger sua população de possíveis ataques, onde forças israelenses realizaram bombardeios contra dezenas de instalações militares sírias. Até o presente momento nenhuma data foi divulgada.
Síria (Foto: reprodução/Getty Imagens Embed/Getty Images-Correspondente autônomo)
Após Israel realizar um ataque contra a base aérea de Abu al-Duhur, o cenário tornou-se tornou mais hostil na terça-feira (18). O governo israelense afirmou que a ação ocorreu diante da possibilidade de Damasco autorizar a presença de forças turcas no local. Tanto a Síria quanto a Turquia negaram a informação.
Ainda de acordo com Shaibani, Damasco reconhece as preocupações de segurança apresentadas por Israel, mas defendeu que as reivindicações sírias também sejam consideradas. Entre os pontos citados estão os voos israelenses sobre o espaço aéreo sírio, os ataques realizados no país e as detenções promovidas por Israel no sul da Síria.
Diante desse cenário, a Síria busca retomar as negociações com Israel como forma de reduzir as tensões e avançar na construção de um acordo de segurança. No entanto, os recentes ataques israelenses e as divergências sobre a possível presença militar da Turquia dificultam a abertura de um caminho para uma solução diplomática.
