Redução de impostos sobre diesel visa aliviar bolso do consumidor, diz colunista

De acordo com comentarista da Globonews Valdo Cruz, decisão anunciada nesta quinta-feira (12) seria uma maneira de mandar um recado ao Banco Central

13 mar, 2026
Comitê afirma que aumento do petróleo não influenciará o consumidor |
Reprodução/Instagram/@portalsertnews
Comitê afirma que aumento do petróleo não influenciará o consumidor | Reprodução/Instagram/@portalsertnews

O anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que vai zerar impostos federais (PIS e Cofins) sobre o diesel é, segundo o jornalista Valdo Cruz, um ‘aceno’ ao Banco Central (BC) comunicando a tentativa do governo de minimizar possíveis impactos na inflação por conta da alta do petróleo.

Às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária do BC, agendada para semana que vem, a informação é de que haveria preocupação por parte do estado para evitar que a alta dos preços, provocada pela instabilidade internacional, produza aumento na inflação do país. 

Ação ocorre em meio a crise no Oriente Médio 

Diante do cenário de guerra no Oriente Médio, pelos conflitos entre Irã X EUA e Israel, que ocasiona escalada no preço do petróleo e acende alerta sobre desabastecimento de óleo diesel no país, o governo federal decidiu anunciar nesta quinta-feira (12) que não haverá cobrança dos impostos do combustível. Também foram anunciados o aumento do imposto de exportação petroleira, o incentivo a produtores e importadores de dieses e fiscalização do repasse do custo das medidas ao consumidor. O anúncio do ‘pacote diesel’ foi feito pelo presidente Lula em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto. 

Essa coletiva é uma reparação para o que acontece no Brasil e no mundo, muito causado pela irresponsabilidade das guerras no mundo. O preço do petróleo está fugindo ao controle, isso significa aumento de combustível, e nos EUA já subiu 20%”, disse Lula a jornalistas presentes. “Estamos fazendo uma engenharia econômica para evitar que os efeitos da irresponsabilidade das guerras cheguem ao povo. Vamos fazer tudo o que for possível“, prosseguiu.


 

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Lula diz que são “as camadas mais pobres que sofrem os impactos da guerra” (Vídeo: reprodução/Instagram/@globonews)


Estratégia em ano eleitoral 

Sinais de inflação costumam impactar diretamente a avaliação popular de governos, principalmente quando a crise econômica influencia em itens rotineiros como combustíveis e transportes. O contexto explica o cuidado que o governo Lula vem apresentando ao lidar com a situação, que acontece em meio ao ano eleitoral. Como plano para driblar o incômodo, o governo decide reduzir tributos federais e compensar a perda de arrecadação com medidas como o aumento dos impostos na exportação de petróleo, buscando balancear o alívio da pressão nos preços e equilíbrio das contas públicas.

A recente pesquisa da Quaest divulgada nesta quarta-feira (11) apontou desaprovação de 51% dos entrevistados ao governo Lula e também foi lida como um alerta para aliados do atual presidente. As medidas contra a alta do petróleo seriam, portanto, uma maneira de também buscar a preservação do ambiente político. No Planalto, a ideia é que qualquer movimentação para reduzir a pressão monetária sobre o combustível pode ajudar a evitar desgastes ao governo. 

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