Rara água-viva é avistada no fundo do mar da Argentina

Espécie “fantasma gigante” pode atingir tamanho de ônibus escolar e foi registrada durante uma expedição científica em um recife de coral de águas frias

04 fev, 2026
Imagem de rara água-viva fantasma gigante | Reprodução/Instagram/@mbari_news
Imagem de rara água-viva fantasma gigante | Reprodução/Instagram/@mbari_news

Durante uma expedição científica sobre o fundo do mar argentino, pesquisadores fizeram uma filmagem rara: o encontro de uma água-viva fantasma gigante, espécie de águas profundas com potencial alcance em dimensões parecidas às de um ônibus escolar.

Segundo os cientistas, a água viva – de nome científico Stygiomedusa gigantea – vive longe da superfície e é raramente observada. O animal raro foi gravado durante a exploração de um recife de coral de águas frias, em área pouco estudada no Atlântico Sul. 

Litoral de Bueno Aires 

A expedição que registrou a rara água-viva gigante foi liderada pela fundação americana Schmidt Ocean Institute, que percorreu toda a margem continental da Argentina, do litoral de Buenos Aires até regiões profundas próximas à Terra do Fogo, arquipélago localizado na extremidade da América do Sul.

As imagens da água-viva foram possíveis graças a veículos operados remotamente, usados justamente para pesquisas no oceano profundo. O registro foi feito a cerca de 250 metros abaixo da superfície. 


 

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Registro de rara água-viva fantasma gigante no oceano argentino (Vídeo: reprodução/Instagram/@transamericafm)


Outras novas descobertas

A expedição também registrou uma lula-de vidro a 1.725 metros de profundidade, em um cânion submarino – espécie de incisão e íngreme no fundo do mar – no litoral do país. Além disso, os pesquisadores também identificaram extensos recifes de corais de água fria, formados principalmente pela espécie Bathelia candida – incluindo o maior recife já conhecido deste coral em todo o oceano – e também áreas chamadas de exsudações frias: ambientes formados por compostos químicos (como metano, sulfeto…) importantes para alimentar organismos que dependem da quimiossíntese em vez da fotossíntese – ou seja, se sustentam mesmo na ausência de luz solar, formando ecossistemas únicos. 

Corais como os identificados nesta expedição crescem lentamente e podem viver centenas de anos, formando abrigo e área de alimentação para peixes, crustáceos, estrelas-do-mar e outras espécies e organismos. Com as exsudações frias, esses ‘locais’ contêm ecossistemas marinhos classificados como vulneráveis, já que possíveis danos causados pelos humanos podem levar décadas para ser revertidos.

Segundo os cientistas, as informações registradas pela exploração devem agora passar por análises que servirão para embasar estudos sobre conservação marinha, biodiversidade e impactos da atividade humana nesses oceanos profundos.   

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