Protestos no Irã somam 5 mil mortos e governo volta a culpar EUA

Manifestações iniciadas pela crise econômica viraram desafio ao regime iraniano sendo marcadas por repressão violenta e acusações contra Washington

18 jan, 2026
Dia de protesto no Irã | Reprodução/Getty Images/Correspondente autônomo/Getty Images Embed
Dia de protesto no Irã | Reprodução/Getty Images/Correspondente autônomo/Getty Images Embed

A escalada da violência no Irã durante as manifestações populares que se espalham pelo país há mais de três semanas já teria provocado a morte de cerca de 5 mil pessoas, segundo relatou neste domingo (18) uma fonte ligada ao governo iraniano à agência Reuters. O número, no entanto, ainda não foi reconhecido oficialmente pelas autoridades de Teerã e segue sendo motivo de controvérsia dentro e fora do país.

Crise econômica impulsiona protestos

Os protestos tiveram início em meio a um cenário de forte crise econômica, marcada pela inflação elevada, desemprego e aumento do custo de vida. Com o passar dos dias, porém, as manifestações ganharam um caráter mais amplo e político. Milhares de iranianos passaram a ocupar as ruas pedindo mudanças estruturais e, em muitos casos, o fim do regime liderado pelos aiatolás, que governa o país há mais de quatro décadas com rígidas normas religiosas e sociais.

A repressão por parte das forças de segurança tem sido um dos pontos mais criticados pela comunidade internacional. Há relatos frequentes de uso de munição real contra manifestantes, além de prisões em massa e restrições ao acesso à internet. Organizações de direitos humanos denunciam que civis estariam sendo mortos durante confrontos diretos com policiais e militares.

Diante da repercussão global, líderes internacionais passaram a se posicionar. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que acompanha a situação de perto e chegou a ameaçar uma resposta militar, reacendendo antigas tensões entre Washington e Teerã. As relações entre os dois países são historicamente marcadas por desconfiança e conflitos diplomáticos.


Aiatolá do Irã, Ali Khamenei, responsabiliza Trump por vítimas e destruição (Vídeo: reprodução/X/@Nexo_latino)


Regime contesta acusações

O governo iraniano, por sua vez, rejeita as acusações de repressão violenta. Em comunicados oficiais, autoridades afirmam que tanto civis quanto agentes de segurança morreram em confrontos provocados por manifestantes que, segundo Teerã, estariam agindo de forma violenta e coordenada. O regime também acusa os Estados Unidos de interferência externa, alegando que agentes estrangeiros estariam infiltrados nos atos visando desestabilizar o país.

Enquanto isso, organizações independentes tentam levantar dados mais precisos sobre o número de vítimas. A HRANA, entidade norte-americana que monitora violações de direitos humanos no Irã, divulgou no sábado (17) um balanço preliminar de 3.308 mortes confirmadas. Além disso, a ONG informou que mais de 4.300 casos seguem em análise, o que pode elevar significativamente o total de vítimas. Com a continuidade dos protestos e a falta de consenso sobre os números, a crise iraniana permanece aberta, aprofundando a instabilidade interna e aumentando a pressão internacional sobre o regime.

Mais notícias