Irã reabre espaço aéreo após longo período com ele fechado

Suspensão temporária das operações ocorreu durante aumento das tensões políticas e coincidiu com alertas internacionais sobre riscos à aviação civil

15 jan, 2026
Avião sobrevoando o céu | Reprodução/ garten-gg/Pixabay
Avião sobrevoando o céu | Reprodução/ garten-gg/Pixabay

Nesta quinta-feira (15), o governo iraniano reabriu o espaço aéreo do seu país após o bloqueio. Com receio de uma possível invasão militar dos Estados Unidos, o Irã acabou fechando o espaço aéreo por cinco horas, o que fez com que as companhias aéreas do país atrasassem voos e até mesmo os cancelassem.

O anúncio da retirada do bloqueio aéreo aconteceu por volta das 00h, no horário de Brasília. O site Flightradar24 mostrou que cinco aviões já sobrevoaram o espaço aéreo iraniano por volta da 1h da manhã. Os aviões, que pertencem às companhias aéreas Mahan Air, Yazd Airways e AVA Airlines, foram os primeiros a sobrevoar o país.

Por que isso aconteceu

Esse fechamento aéreo ocorreu após Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, ter deixado claro que pode autorizar uma invasão militar no Irã em razão da onda de protestos que rodeia o país. Mais cedo, autoridades alemãs recomendaram que companhias aéreas alemãs evitem o país em “conflito”.

Situação perigosa no Irã. É recomendado que os operadores aéreos civis alemães não entrem na FIR Teerã (OIIX)“, diz o comunicado, em referência ao código do espaço aéreo iraniano. “Risco potencial à aviação devido à escalada de conflitos e armamento antiaéreo.

Um voo que vinha de Seul com destino a Dubai, que precisaria passar pela “FIR Teerã”, precisou fazer outra rota passando pelo Turcomenistão. Já outro voo, conectando as cidades de Medina (Arábia Saudita) e a cidade de Tashkent (Uzbequistão), precisou retornar pelo Golfo Pérsico.

Alemanha acompanha de perto o conflito

Na terça-feira (13), Friedrich Merz, chanceler alemão, comunicou que o regime que controla o Irã (aiatolás) está nos “últimos dias e semanas“. Quando estava na Índia, ele também deu uma declaração condenando as forças de segurança do Irã, onde segundo ele “só conseguem manter o poder por meio da violência”.

“Quando um regime só consegue manter o poder por meio da violência, então ele está efetivamente no fim. A população agora está se levantando contra esse regime.” Além dessa declaração, ele disse estar em contato frequente com os Estados Unidos sobre o que acontece no Irã e pediu para que Teerã não use força desnecessária contra os manifestantes.


Declaração do chanceler alemão (Vídeo: reprodução/Youtube/Jovem Pan News)


Mortes e presos

As mortes devido aos protestos que vêm acontecendo ultrapassam as 3.428 pessoas, segundo a IHR, ONG voltada aos direitos humanos que está acompanhando as manifestações. Desse total, 3.379 são manifestantes. O número pode ser maior, porém existe uma dificuldade de acesso à internet no Irã, o que acaba atrapalhando na contabilização de vítimas fatais. Segundo a ONG HRANA, que é norte-americana e que também está acompanhando a onda de conflitos, outros 18 mil manifestantes estão presas sob custódia do regime Khamenei.

Com a possível invasão militar dos Estados Unidos, o Irã acabou denunciando o país à ONU (Organização das Nações Unidas). O Irã também deixou claro que irá bombardear bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio caso seja atacado, disse um agente do alto escalão do Irã ao portal de notícias Reuters. Após isso, soldados dos EUA estão sendo evacuados de algumas bases militares no Oriente Médio.


 Protestos no Irã onde pedem o fim do regime aiatolás (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Ken Jack)


Posicionamento de Donald Trump

Relatos de testemunhas e de agências internacionais apontam para o uso de munição real contra civis e para a ocorrência de execuções extrajudiciais. Diante desse quadro, Trump tem se dirigido diretamente aos iranianos que participam das manifestações. Em mensagens recentes, pediu que eles guardem os nomes “dos assassinos e dos que estão maltratando vocês” e afirmou que a “ajuda está a caminho”, sem detalhar que tipo de apoio seria oferecido.

Teerã reagiu denunciando os Estados Unidos à ONU e acusando Washington de tentar forjar um pretexto para promover uma mudança de regime. Um alto funcionário iraniano declarou à Reuters que, caso o país seja bombardeado, responderá atacando bases militares norte-americanas no Oriente Médio — decisão que já teria sido comunicada a nações vizinhas. Paralelamente, os EUA iniciaram a evacuação de tropas de algumas de suas principais instalações na região.

Enquanto isso, as manifestações no Irã deixaram de ser apenas protestos contra a crise econômica e passaram a exigir abertamente o fim da República Islâmica, que governa o país desde 1979. A reabertura do espaço aéreo, portanto, ocorre em um momento em que a tensão interna e externa se retroalimentam, criando um ambiente de incerteza que ultrapassa as fronteiras iranianas e mantém o mundo em estado de alerta.

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