Ex-príncipe Andrew é liberado horas após prisão ligada a investigação sobre Epstein

Irmão do rei Charles III foi preso por suspeita de má conduta no exercício de cargo público, passando cerca de 11 horas em uma delegacia do Reino Unido

19 fev, 2026
Ex-príncipe é investigado por ligação a Caso Epstein | Reprodução/X/@EPreve
Ex-príncipe é investigado por ligação a Caso Epstein | Reprodução/X/@EPreve

O ex-príncipe Andrew, irmão do Rei Charles III, foi liberado nesta quinta-feira (19) após ser detido sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público. A agência Reuters fotografou o acusado no banco de trás de um carro, com as mãos cruzadas, saindo de uma delegacia no Reino Unido, onde ficou preso por cerca de 11 horas. Autoridades afirmaram que o ex-príncipe “foi liberado enquanto as investigações continuam”. De acordo com a polícia, buscas continuam em um endereço ligado a ele.

Prisão está relacionada a “Caso Epstein”

A prisão de Andrew ocorreu após investigações ligarem o ex-príncipe ao empresário já falecido Jeffrey Epstein, acusado de crimes sexuais. Há uma semana, autoridades britânicas abriram investigação para apurar se Andrew havia enviado relatórios confidenciais a Epstein enquanto era representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional. Epstein, acusado de comandar uma rede de abuso sexual de menores, era um financista norte-americano e morreu na prisão em 2019. O nome de Andrew é citado diversas vezes em arquivos do caso divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos em dezembro de 2025. Entre os materiais, há fotos do britânico ajoelhado ao lado de uma mulher não identificada.

Andrew também tem acusações de crimes sexuais por Virginia Giuffre, testemunha chave do caso Epstein, quando ela ainda era menor de idade. Giuffre tirou a própria vida na Austrália, em abril de 2025, aos 41 anos. O ex-príncipe nega todas as acusações – tanto as que dizem respeito ao envio de informações confidenciais quanto as de agressão sexual.


 

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Ex-príncipe Andrew em momento após soltura (Foto: reprodução/Instagram/@reuters)


Identidade de Andrew foi confirmada pela família real

Segundo informações da polícia, foram realizadas buscas em diferentes endereços ligados ao ex-príncipe: um em Berkshire, a oeste de Londres, e outro em Norfolk, no leste da Inglaterra. Às operações tiveram apoio de agentes locais.

“Após uma avaliação minuciosa, abrimos uma investigação sobre esta alegação de má conduta no exercício de cargo público. É importante proteger a integridade e a objetividade da apuração enquanto trabalhamos com nossos parceiros”, declarou o subchefe de polícia Oliver Wright.

Ainda pela manhã, a polícia do Vale do Tâmisa, região ao sudeste da Inglaterra, informou a prisão de um homem com cerca de 60 anos com “motivos razoáveis para suspeitar que um crime ocorreu”. Até então o suspeito ainda não havia sido identificado oficialmente, com argumento de proteção à identidade do preso. Mais tarde, uma reportagem publicada pela BBC afirmou se tratar do ex-príncipe Andrew – o que posteriormente acabou sendo confirmado pela família real britânica.

Em comunicado, o rei Charles III disse que recebeu a notícia “com preocupação”, mas afirmou que a polícia tem o apoio da família real e que “a lei precisa seguir seu curso”. Segundo a BBC, o monarca não havia sido avisado previamente sobre a prisão. O serviço de imprensa real informou que a posição do rei tem apoio do príncipe William e da princesa Kate. Ainda segundo a BBC, se o ex-príncipe for considerado culpado no caso, ele pode ser condenado à prisão perpétua.

Pressão real

As ligações entre Andrew e Epstein, reveladas por arquivos do caso divulgados nos EUA, colocaram a família real britânica sob pressão. Na última semana, o príncipe William e a princesa Kate, assim como o rei Charles III, expressaram “profunda preocupação” com os desdobramentos da investigação. Andrew, no último mês de Outubro, foi destituído de todos os títulos reais por decisão do rei Charles III, após novas revelações sobre a relação com Epstein. Ele também “foi expulso” da residência oficial em Windsor e se realocou em uma casa de campo em Sandringham.

A polícia britânica passou a investigar a amizade entre Andrew e Epstein após as revelações do caso virem à tona e apontarem possíveis conexões com o Reino Unido. Autoridades pediram nesta semana que testemunhas denunciem casos de tráfico de mulheres.

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