Polícia descobre plano do PCC para executar agentes públicos
Polícia revelou esquema do PCC para executar agentes públicos e ligação de empresa de transportes investigada com lavagem de dinheiro da facção
Após sete anos de investigação, a Polícia Civil de São Paulo revelou um esquema da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) para executar agentes públicos. Um dos nomes envolvidos seria de um ex-diretor da Penitenciária II de Presidente Venceslau, que fica localizada no interior de São Paulo.
Descoberta das mensagens
A investigação começou em 2019, após agentes da Penitenciária de Presidente Venceslau realizarem uma varredura nas celas de alguns indivíduos. Na varredura, encontraram no esgoto da cela diversas cartas com informações importantes sobre os próximos passos do PCC, como: informações sobre o tráfico de drogas no presídio, relacionamentos com a cúpula do PCC, especialmente com Marco Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, líder da facção, e o plano para realizar atentados contra alguns agentes públicos.
Nos conteúdos das “cartas” estavam informações de comando que alguns faccionados deviam seguir. Uma das mensagens tinha que uma pessoa da facção havia recebido ordens do Marcola, preso no Distrito Federal, de cuidar de assuntos pessoais junto ao traficante “Fuminho”, Gilberto Aparecido dos Santos, braço direito de Marcola, também preso.
A influenciadora Deolane Bezerra foi presa nesta quinta pela Operação Vérnix, do MP-SP e Polícia Civil, por suspeita de lavagem de dinheiro do PCC. A investigação começou em 2019, quando bilhetes escondidos na caixa de esgoto de celas em Presidente Venceslau revelaram a estrutura… pic.twitter.com/Xmiq1SvsHq
— denilson (@thenews_br) May 21, 2026
Pedaços das cartas recuperadas pela polícia (Foto: reprodução/X/@thenews_br)
Nessa carta, tem a seguinte mensagem: “Aquela mulher da transportadora já entregou tudo certinho até o endereço novo do Bizzoto.” De acordo com as investigações, essa mensagem fez referência a uma pessoa que teria sido responsável por levantar os endereços de agentes públicos para a organização criminosa realizar atentados a eles.
Foi então que a empresa “Lado a Lado Transportes” surgiu nas investigações. Ela funcionava somente de fachada para lavar o dinheiro. O casal, sócios da empresa, foi condenado a 26 anos de prisão, sendo a mulher a 11 anos e 3 meses e o homem a 14 anos, 10 meses e 15 dias.
Desdobramentos da investigação
Após a descoberta desses bilhetes em 2019, a polícia instaurou três inquéritos, com o objetivo de descobrir quem estava por trás daquele esquema, quem seria a “mulher da transportadora” e qual seria a relação entre a facção paulista e a transportadora. As investigações foram avançando e foi descoberto que a empresa, com sede em Presidente Venceslau, estava com movimentações financeiras incompatíveis e um crescimento exorbitante sem explicações.
Durante a operação, a polícia apreendeu um celular, que foi um divisor de águas para o prosseguimento destas investigações. Nesse celular, a polícia conseguiu ver mensagens trocadas entre pessoas ligadas à cúpula do PCC, transações financeiras e a relação entre Deolane Bezerra e o crime organizado.
