Eleição histórica termina hoje e pode consolidar poder inédito de uma família ou registrar uma virada sem precedentes

Pesquisas Quaest e Datafolha mostram 51% a 49% para Flávio. Vitória de Lula seria primeira virada de candidato derrotado no primeiro turno; de Flávio consolidaria poder inédito de uma família

25 out, 2026
Flávio Bolsonaro e presidente Lula | Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro/@lula
Flávio Bolsonaro e presidente Lula | Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro/@lula

Brasil vota neste domingo entre Flávio Bolsonaro e Lula em segundo turno com empate técnico nas pesquisas. Segundo Quaest e Datafolha, Flávio soma 51% das intenções de votos válidos contra 49% de Lula. O resultado será histórico: uma vitória consolidaria poder familiar inédito ou representaria a primeira virada eleitoral da Nova República.

Flávio terminou o primeiro turno à frente com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos. O cenário inverte o resultado de 2022, quando Lula venceu Jair Bolsonaro com 50,9% contra 49,1%.


Eleição histórica termina hoje e pode consolidar poder inédito de uma família ou registrar uma virada (Vídeo: reprodução/X/@MidiaNINJA)


Dois cenários históricos

Se o senador Flávio Bolsonaro (PL) vencer a disputa, consolidará um inédito poder no período da Nova República em torno de uma única família, um ano depois da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, neste caso, ele se juntaria no ano que vem à madrasta Michelle e o irmão Carlos, eleitos para o Senado, e a Jair Renan, novo deputado federal.

Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhar na sua última campanha, pela primeira vez um candidato sairá do primeiro turno atrás do oponente e virará a corrida eleitoral.

Uma vitória de Lula o levaria ao quarto mandato. O tempo total no Planalto chegaria a 16 anos, dois a menos que Getúlio Vargas. A reversão de uma desvantagem inicial seria inédita no período democrático atual.

O engajamento eleitoral mudou entre os turnos. No primeiro, os eleitores demonstraram desinteresse, mas outubro trouxe mobilização visível. Direita e esquerda lotaram ruas em atos de Norte a Sul, com manifestações em favor de Flávio e Lula mobilizando milhares em Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. O debate na TV Globo atraiu a atenção de milhões de brasileiros.


Flávio Bolsonaro vota na seção eleitoral no Rio de Janeiro (Vídeo: reprodução/X/@bralternativo_)


Campanha e temas em debate

As primeiras semanas do segundo turno foram eclipsadas por escândalos do INSS e Banco Master, que direcionaram a atenção para disputas internas no STF. Apenas nas últimas semanas travaram-se debates programáticos de forma consistente.

Flávio prometeu ajuste de R$ 200 bilhões no Orçamento, mas não detalhou de onde cortará custos. Apresentou propostas insuficientes de aumento de receitas e prometeu não aumentar impostos. Lula, por sua vez, minimizou a necessidade de ajuste fiscal apesar do crescente endividamento público.

O presidente falou pela primeira vez em redução da maioridade penal para crimes hediondos, durante tramitação da PEC da Segurança Pública no Congresso. A votação do fim da escala 6×1 no Senado obrigou Flávio a se posicionar a favor, proposta que havia sido criticada por parlamentares do PL por anos. Ambos os candidatos recuaram de posições históricas para não perder votos.

O tom da campanha privilegiou ofensas pessoais. Flávio e Lula se xingaram de “miliciano” e “ladrão” nos debates da Band e da Globo. Ambos passaram o primeiro turno recusando-se a participar de confrontos com outros candidatos. O clima bélico tende a reverberar no próximo mandato.

A agenda do próximo presidente será conflituosa. Se eleito, Flávio tem planos de tirar o pai da prisão, anistiar condenados pelo 8 de Janeiro e buscar o impeachment de Alexandre de Moraes. Se reeleito, Lula terá que lidar com Congresso hostil, onde o PL terá a maior bancada na Câmara e no Senado.

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