Petro reage a Trump e classifica como ilegítima ameaça dos EUA

Petro diz que vai analisar fala de Trump sobre possível ação militar; rebate acusações e chama ‘ameaça’ de ilegítima em meio à escalada de tensão entre EUA e Colômbia

05 jan, 2026
Petro no evento "Democracia Siempre" em Santiago, Chile | Reprodução/Getty Images Embed/Rodrigo Arangua
Petro no evento "Democracia Siempre" em Santiago, Chile | Reprodução/Getty Images Embed/Rodrigo Arangua

O atual presidente da Colômbia e ex-guerrilheiro, Gustavo Petro, disse na manhã desta segunda-feira (5) que irá analisar as palavras de Donald Trump, a respeito de uma operação militar contra seu país, antes de responder. Nas redes sociais, Petro afirmou que irá avaliar se a imprensa colombiana traduziu corretamente a frase do presidente norte-americano antes de se posicionar apropriadamente: “responderei mais tarde, até saber o que realmente significa a ameaça ilegítima”.

A relação diplomática entre Estados Unidos e Colômbia entrou em um novo e delicado capítulo após declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, sugerindo que uma eventual operação militar contra o país sul-americano “soaria bem”. A fala repercutiu imediatamente em Bogotá e provocou reação do presidente colombiano, Gustavo Petro, que classificou o comentário como uma ameaça ilegítima e afirmou que analisará com cautela o conteúdo antes de apresentar uma resposta oficial.

Entenda

Após a operação militar norte-americana na Venezuela, que culminou com a captura de Nicolás Maduro na madrugada deste sábado (3), jornalistas questionaram Trump sobre uma eventual ação militar dos EUA contra a Colômbia, ao que respondeu: “Soa bem para mim”.


Donald Trump com os jornalistas a bordo do Air Force One, na noite do último domingo (Foto: reprodução/Jim Watson/Getty Images Embed)


Ainda na entrevista concedida neste domingo (4), Donald Trump afirmou que a Colômbia está “muito doente” por ser governada por um “homem doente”. Segundo ele, Gustavo Petro gosta de vender a cocaína produzida pelo seu país aos Estados Unidos, mas “não vai continuar fazendo isso por muito tempo” e que Petro deveria “cuidar de seu traseiro” após os ataques à Venezuela.

Reação do governo colombiano

Petro chamou as palavras de Trump de “ameaça ilegítima” e afirmou nas redes sociais que o presidente norte-americano deve parar de caluniá-lo: “Não é assim que se ameaça um presidente latino-americano que surgiu da luta armada e, depois, da luta pela paz do povo da Colômbia”, disse.


Donald Trump e Gustavo Petro (Foto: reprodução/Andrew Caballero-Reynolds e Raul Arboleda/Getty Images Embed)


O presidente colombiano ainda cita Marco Rubio, secretário de Estado de Trump, que teria dado a entender que o governo colombiano não estaria colaborando o suficiente com os EUA, ao mesmo tempo em que sugeriria uma cooperação direta entre os Estados Unidos e as Forças Armadas colombianas, sem a mediação do presidente. Segundo Petro, tal ideia fere a Constituição da Colômbia, que estabelece que o presidente da República é o comandante máximo das Forças Armadas e da polícia.

EUA x Colômbia

Os dois presidentes vêm trocando acusações em relação a políticas de imigração, tarifas e segurança regional desde que Donald Trump assumiu seu segundo mandato, em janeiro de 2025. Em outubro, os Estados Unidos aplicaram sanções contra Gustavo Petro, sua esposa e um de seus filhos, acusando-o de narcotráfico, mesmo sem provas. Após os ataques a Caracas, a tensão entre os dois vem crescendo de forma progressiva.

Autoridades colombianas afirmam que ao menos um dos ataques ocorreu próximo a águas nacionais e denunciam a violação do território do país. Em um dos episódios, um pescador colombiano teria sido morto. Para Petro, suspeitos de tráfico deveriam ser levados à Justiça, e não executados.

Desde o início dessa guerra de palavras, os Estados Unidos retiraram a Colômbia da lista de países aliados no combate ao narcotráfico e revogaram o visto de Petro e de diversos funcionários do governo. Trump também passou a se referir ao presidente colombiano como “líder narcotraficante” e “meliante”. Em resposta, Petro negou todas as acusações, afirmou combater o narcotráfico há décadas e declarou que não ficará “de joelhos” diante da pressão norte-americana.

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