Papa Leão XIV e Rubio tem encontro após tensões entre EUA e Vaticano
Reunião considerada amigável ocorre após ataques de Trump e do próprio Rubio ao Papa, que afirmou continuar seus esforços pela paz e o fim das guerras
Na manhã desta quinta-feira (07), o Santo Padre, o Papa Leão XIV, recebeu no Vaticano o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em audiência realizada no Palácio Apostólico.
O encontro, considerado amigável e construtivo por alguns líderes estadunidenses, acontece após ataques do presidente dos EUA, Donald Trump, e do próprio Rubio ao Papa após suas declarações contra as guerras.
Reunião foi considerada amistosa
Apesar das tensões dos últimos meses entre os Estados Unidos e a Santa Sé, a reunião entre o Papa e Rubio foi considerada amistosa, e fotos dos dois com semblante tranquilo e, em uma delas, sorridente foram divulgadas pelo serviço de comunicação da Santa Sé ao fim da reunião, na qual também esteve presente o Secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Parolin.
O Departamento de Estado dos EUA informou que, durante a reunião, foram discutidos esforços humanitários e pela paz no Oriente Médio em andamento pelo Ocidente e que o secretário deixou o Vaticano após duas horas e meia.
Pessoas ligadas aos EUA afirmam a agências de notícias que houve uma conversa franca, mas amistosa, e que serviu para apaziguar as tensões iniciadas pelos EUA contra a Igreja Católica.
Até o fechamento desta matéria, a Santa Sé não fez qualquer tipo de comentário ou divulgação do encontro de Rubio com o Papa ou com o Cardeal Parolin além das fotos publicadas pelo Vatican Media do secretário estadunidense com Leão XIV.
Relação entre Vaticano e EUA vive desgaste
O desgaste nas relações entre Vaticano e EUA já dura pelo menos um ano. A primeira rusga começou ainda no funeral do Papa Francisco, em que, antes da Missa Exequial, Trump foi visto tendo uma conversa institucional com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenski. Na época, houve muitas críticas por parte de membros da Santa Sé, que afirmavam que ali não era lugar nem momento para esse tipo de conversa.
Dias depois, durante o Novendelli, os nove dias que se reza pela alma do Pontífice falecido e pela eleição do novo, Trump postou uma imagem gerada por Inteligência Artificial vestido como Papa e apagou o post. Na ocasião, vários cardeais afirmaram que nenhum líder mundial tem o direito de interferir no Conclave.
Apesar de arrefecidas após a eleição de Leão XIV, as tensões voltaram após o Papa se tornar um crítico firme da guerra entre a coalizão EUA-Israel contra o Irã e das políticas anti-imigração de Trump, o que gerou ataques públicos do presidente ao pontífice e à Igreja Católica, algo sem precedentes na história da relação diplomática entre os países.
Trump chegou a chamar o Papa de “fraco” e completou, dizendo, sem nenhum tipo de prova, que o pontífice acha que o Irã tem que ter armas nucleares, o que obviamente, foi negado veementemente pelo Papa.
E novamente utilizou a Inteligência Artificial, dessa vez para fazer uma imagem própria sua como Jesus Cristo, o que foi criticado pelo mundo inteiro, e líderes católicos acusaram o presidente estadunidense de cometer uma blasfêmia ao se colocar no lugar de Jesus. Outra vez, Trump apagou o post e alegou ter sido mal interpretado.
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Papa faz discursos duros contra quem promove a guerra (Vídeo: Reprodução/Instagram/@dwbrasil)
Leão disse várias vezes que não tem medo de Trump e evocou o legado de seus antecessores, que chegaram inclusive a sofrer o martírio por pregar o cristianismo.
A resposta mais firme começou a ser dada na homilia da missa do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, realizada no dia 29 de março no Vaticano, em que afirmou que Deus não escuta a oração de políticos que incentivam a guerra e seguiu nesse tom durante suas pregações durante a Semana Santa deste ano.
Durante sua viagem apostólica para a África, Leão classificou como inaceitável líderes políticos utilizarem a religião como forma de fazer propaganda de guerra e fez duras críticas a políticas opressivas.
Por fim, Leão, já nesta semana, afirmou que só prega aquilo que a Igreja Católica sempre pregou em toda a história e que vai seguir como voz no mundo pela paz e concórdia entre os povos.
Rubio segue agenda pela Itália
Outro encontro esperado na estadia de Rubio na Itália, que dura até esta sexta-feira (08), é o encontro com a primeira-ministra do país, Giorgia Meloni, para tentar contornar a crise diplomática provocada pelos ataques de Trump à Igreja Católica.
A reunião entre Meloni e Rubio deve tocar em assuntos voltados à segurança e alinhamento estratégico e ocorre após a Itália impedir o uso da base aérea de Sigonella, na Sicília, pelos EUA para a guerra no Oriente Médio após tentativas de pousos de aviões estadunidenses na base italiana sem autorização.
A relação entre Giorgia Meloni e Trump vem sendo de afastamento desde o ano passado com o tarifaço e aumentou após a recusa da primeira-ministra a entrar na guerra contra o Irã e do anúncio do fim do acordo de defesa com Israel que não será renovado, inclusive com fala de Meloni sobre a morte de crianças no conflito na Faixa de Gaza.
Especialistas veem esse afastamento como uma forma de Meloni tentar aumentar sua popularidade após pesquisas mostrarem o descontentamento dos italianos com seu governo e sua relação próxima a Trump e que os ataques do presidente a Igreja Católica podem ser a oportunidade perfeita para uma ruptura entre os dois.
Para evitar essa ruptura de uma aliada ideológica, Rubio está na Itália buscando apaziguar as relações que tem esquentado com as declarações de Trump nos últimos meses, principalmente após a frustação do presidente estadunidense com a não entrada dos países europeus na geurra contra o Irã.
