Operação da PF contra Jaques Wagner movimenta o Congresso

PF investiga Jaques Wagner por corrupção ligada ao Banco Master. Base defende presunção de inocência, enquanto oposição aponta evidências de fraude

18 jun, 2026
Jaques Wagner | Reprodução/Lula Marques/Agencia Brasil
Jaques Wagner | Reprodução/Lula Marques/Agencia Brasil

A política nacional foi sacudida nesta quinta-feira (18) com a deflagração da 9ª fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A investigação, que coloca no centro do debate o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, apura um esquema bilionário de fraudes e corrupção vinculado ao Banco Master. O caso provocou uma onda de repercussão imediata entre parlamentares, ministros e lideranças políticas, evidenciando a profunda polarização em torno da figura do senador baiano.

Acusações e contexto da investigação

Conforme apontam os documentos da investigação, Jaques Wagner teria sido beneficiário de vantagens indevidas decorrentes de sua atuação política no Congresso. Entre os elementos que compõem o escopo do inquérito, destacam-se a recepção de um apartamento de luxo localizado em Salvador e o recebimento de aproximadamente R$ 3,5 milhões. As apurações indicam que tais favorecimentos seriam contrapartidas por influência exercida pelo parlamentar em favor dos interesses do esquema ligado ao Banco Master.


 

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A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a 9ª fase da Operação Compliance Zero. (Vídeo: Reprodução/ Instagram/@portalg1)


Solidariedade e a defesa da presunção de inocência

Em meio às críticas, a base governista saiu em defesa do senador. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), adotou uma postura de cautela e solidariedade, enfatizando o pilar fundamental da presunção da inocência. Para Alcolumbre, a exposição de um homem público a uma operação policial cria uma condenação antecipada pela opinião pública, o que, segundo ele, distorce o devido processo legal.

“Um homem público, quando sofre uma operação, ele já está condenado para a opinião pública. Esse mantra de que todo mundo é culpado antes que se prove o contrário está errado no Brasil. Minha solidariedade integral a um colega senador da República”, afirmou o presidente do Senado, reforçando a necessidade de aguardar o trânsito em julgado de qualquer eventual processo penal.

Na mesma linha, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), assegurou que o governo Lula mantém a diretriz de total autonomia para as investigações, ao mesmo tempo em que garantiu o direito de ampla defesa e do contraditório ao senador petista.


Agentes cumpriram mandado de busca e apreensão contra o parlamentar (Vídeo: reprodução /YouTube/CNN Brasil)


Oposição aponta indícios de irregularidades

Do outro lado do espectro político, parlamentares da oposição aproveitaram o episódio para reforçar críticas à gestão petista e questionar a conduta do senador. O deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), ex-relator da CPMI do INSS, declarou que a “verdade” sobre o caso Master “está aparecendo”. Gaspar relembrou a atuação de Wagner durante as investigações da comissão e sugeriu que o parlamentar teria tentado obstruir o trabalho do colegiado.

O senador Carlos Viana (PSD-MG), também crítico contumaz do atual governo, aproveitou a repercussão para elogiar a condução do caso pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, relator das investigações na Corte. “A Polícia Federal deflagrou a operação, e o nome do líder de Lula apareceu no centro do escândalo: apartamento de luxo em Salvador, voos nos jatos de Vorcaro e milhões parando na conta da família”, declarou Viana.

Troca de acusações e polêmicas passadas

O debate esquentou ainda mais com o contra-ataque da base governista. Randolfe Rodrigues trouxe à tona uma polêmica envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O líder do governo no Congresso citou áudios em que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro solicita recursos ao ex-banqueiro para financiar uma cinebiografia sobre seu pai.

“Ao que eu sei, não tem nenhum áudio do senador Jaques Wagner com o senhor Vorcaro. Não tem um pedido do senador Jaques Wagner de R$ 130 milhões para o Vorcaro. O que tem é um procedimento em curso na Bahia. A diretriz do governo Lula é dar total autonomia à investigação. Ninguém pode ser culpado antecipadamente”, rebateu Randolfe, tentando distanciar a figura de Wagner de uma relação direta de proximidade com o ex-banqueiro.

A operação segue em curso e promete desdobramentos importantes nos próximos meses, mantendo o caso no centro das atenções tanto do Judiciário quanto do Poder Legislativo.

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