Lula afirma que Trump o respeita e ataca Marco Rubio: “É bolsonarista e não gosta do Brasil”

Presidente elogia respeito do presidente dos EUA, mas critica duramente Marco Rubio como anti-latino-americano durante evento em São José dos Campos

07 ago, 2026
Presidente Lula com presidente dos Estados Unidos Donald Trump | Reprodução/X/@LulaOficial
Presidente Lula com presidente dos Estados Unidos Donald Trump | Reprodução/X/@LulaOficial

O presidente Lula afirmou nesta sexta-feira (7) que Donald Trump o trata com respeito, mas criticou duramente o secretário de Estado americano Marco Rubio, chamando-o de bolsonarista e anti-latino-americano. As declarações ocorreram durante evento no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em São José dos Campos.

Lula caracterizou Rubio como um líder hostil à América Latina e ao Brasil. Segundo o presidente, a ascendência cubana de Rubio explica parte dessa postura.

“Ele [Trump] tem um cidadão que não gosta do Brasil. Que não gosta da América Latina. E que é um bolsonarista. Que é o homem secretário de Estado, que é o Marco Rubio. Sabe, ele não gosta”, afirmou Lula.

O presidente descreveu Rubio em termos mais duros em seguida:

“Ele é um anti-latino-americano ou um latino-americano frustrado porque ele foi embora de Cuba, o avô dele, o bisavó, é de lá, ele nunca morou em Cuba. Mas ele foi embora, ele é um descendente de cubano de Miami, então ele odeia. Odeia Cuba, odeia a Colômbia, odeia o Brasil”, disse Lula.

Apesar das críticas a Rubio, Lula reafirmou sua disposição em trabalhar com Trump. Ele lembrou encontros anteriores em que foi bem recebido pelo presidente americano, incluindo um na Malásia, segundo informações do G1.

“Eu e o Trump já tivemos algumas reuniões. Ele sempre me tratou com muito respeito”, afirmou Lula.

O presidente ressaltou que ambos têm 80 anos e que conversaram sobre a responsabilidade das duas maiores democracias do mundo. Mencionou ainda a relação diplomática entre Brasil e EUA, que completa 201 anos.

Divergência com Trump

Lula apontou uma desconexão entre as conversas que mantém com Trump e as ações tomadas por Rubio no cargo de secretário de Estado.

“Ele faz as coisas diferentes daquilo que a gente conversa com o Trump”, disse Lula.

O presidente indicou que essa divergência representa um obstáculo na relação bilateral. Sem especificar quais medidas diferem das conversas, Lula sugeriu que Rubio atua de forma independente das orientações que o próprio Trump haveria de seguir.


Donald Trump e Lula (Foto: reprodução/ Andrew Harnik/ Getty Images Embed)


Estratégia com dados de desmatamento

Lula pretende usar informações do INPE para reverter a posição americana sobre tarifas impostas ao Brasil. O presidente planeja enviar a Trump gráficos que documentam a queda no desmatamento, segundo informações do G1.

O desmatamento foi um dos argumentos apresentados pelos EUA para justificar as medidas tarifárias contra produtos brasileiros. Lula ressaltou que o Brasil leva a questão climática a sério e que os dados do instituto comprovam avanços recentes.

Criticou a posição de Trump em relação às mudanças climáticas. “Eu vi o Trump falando na ONU que não acredita nesse negócio de questão climática, que é tudo mentira”, afirmou o presidente.

Contexto de tensão diplomática

A relação entre Brasil e EUA atravessa um período de escalada de tensão política e diplomática, intensificada especialmente após as medidas tarifárias contra produtos brasileiros anunciadas pela administração Trump.

O Senado dos EUA aprovou nesta sexta-feira (7) Daniel Perez para embaixador no Brasil. Seu nome segue agora para análise do Itamaraty, que pode conceder ou negar o agrément, autorização necessária para que um embaixador estrangeiro assuma suas funções.

O Departamento de Estado americano afirmou que as tarifas seriam uma resposta à demora do Brasil em conceder agrément para Perez. A questão integra o quadro mais amplo de fricções diplomáticas entre os dois países nos primeiros dias do segundo mandato de Trump.

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