Conheça Jorge Messias, indicado por Lula para ser ministro do STF
Ele passa por sabatina no Senado nesta quarta-feira (29); Messias é procurador da Fazenda Nacional desde 2007 e atuou na área jurídica no governo Dilma
Nesta quarta-feira (29), o atual advogado-geral da União, Jorge Messias, passa por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Messias foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assumir a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) após Luís Roberto Barroso anunciar sua aposentadoria da Corte.
Quem é Jorge Messias
Jorge Rodrigo Araújo Messias tem 45 anos e é pernambucano. Ele está no governo desde o início da terceira gestão Lula, em 2023. Conheça os principais pontos de sua carreira política:
- Assumiu o comando da Advocacia-Geral da União (AGU) em 2023, no início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Antes mesmo da posse presidencial, já integrava a equipe de transição do novo governo.
- Servidor público de carreira desde 2007, acumulou passagens por órgãos do Executivo, entre eles o Banco Central do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
- É visto como um nome de confiança de Lula, com respaldo de ministros ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT) e de integrantes da ala palaciana.
- Mantém relação próxima com o presidente desde os governos de Dilma Rousseff, sendo considerado um aliado leal dentro da estrutura federal.
- À frente da AGU, atuou na defesa das instituições democráticas, especialmente do Supremo Tribunal Federal (STF), diante de pressões e ameaças atribuídas ao governo dos Estados Unidos, então comandado por Donald Trump.
- Também conduziu ações judiciais relacionadas a pautas estratégicas do governo Lula, como a defesa do decreto do IOF — posteriormente derrubado no Congresso — e propostas de regulamentação das redes sociais.
Atuação na AGU
Assumindo o comando da AGU, Messias também desempenhou papel central na estratégia jurídica do governo Lula, liderando ações em frentes consideradas delicadas para o Planalto. Entre os destaques, está a atuação na tentativa de se ter uma reversão, no STF, sobre a decisão do Congresso Nacional que derrubou o decreto do Executivo prevendo aumento nas alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
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Jorge Messias em evento da Corte IDH em parceria com o STF (Foto: reprodução/Instagram/@jorgemessiasagu)
A medida era tratada como essencial pelo governo para equilibrar as contas públicas. O impasse provocou um embate entre Executivo e Congresso, envolvendo discussões sobre separação entre os Poderes e a autonomia do governo na condução da política fiscal. Após o STF ser convocado para se manifestar, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, decidiu manter quase a totalidade do decreto do governo que aumentou o IOF.
Regulamentação digital e defesa da democracia
Messias também assumiu papel ativo no debate sobre a regulamentação das redes sociais, oferecendo respaldo jurídico a iniciativas do Executivo voltadas ao endurecimento das regras de combate à desinformação e aos discursos de ódio nas plataformas digitais.
Em janeiro do ano passado, a AGU enviou notificação extrajudicial à Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, solicitando que a empresa informasse, no prazo de até 72 horas, como garantiria o cumprimento da legislação no enfrentamento a crimes como racismo e homofobia.
A iniciativa marcou a primeira reação oficial do governo após a Meta anunciar o encerramento de seu programa de checagem de fatos, mecanismo voltado à contenção da circulação de notícias falsas, além de flexibilizar regras relacionadas a discursos preconceituosos e de ódio, especialmente contra imigrantes, população LGBTQIA+ e mulheres.
Em resposta, a empresa afirmou que as mudanças se restringiam à atuação de suas plataformas nos Estados Unidos.
Ele também utilizou suas próprias Redes Sociais para se posicionar na defesa dessas pautas: “Aqui não é terra sem lei, obviamente. Nosso ordenamento jurídico já oferece anticorpos para combatermos desordem informacional. Portando, não vamos ficar de braços cruzados“.
