Imprensa internacional destaca vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro
Lula reverte desvantagem inicial e amplia vantagem nas urnas; apuração revela recorde de votos e redução de votos brancos e nulos no segundo turno
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais gerou repercussão na imprensa internacional neste domingo (25). Jornais e emissoras estrangeiros destacaram a virada do candidato, que disputou a segunda etapa do período eleitoral em desvantagem, e os impactos políticos do resultado com o avanço conservador na América Latina. A eleição também chamou a atenção pois garantiu o quarto mandato presidencial para Lula.
A CNN definiu o resultado como histórico e ressaltou o confronto acirrado que confirmou o final de uma corrida eleitoral dividida. Já o The Wall Street Journal afirmou que Lula fica na presidência brasileira após uma reviravolta nas urnas. O Financial Times descreveu a vitória como dramática e mencionou possíveis consequências para a influência dos Estados Unidos na região.
Repercussão ultrapassa fronteiras
O The New York Times avaliou que a vitória do petista significa uma luta contra o avanço da direita no continente, movimento que também está presente em outros governos latino-americanos. O jornal norte-americano citou o trabalho político de Flávio Bolsonaro e as preocupações causadas por uma possível contestação do resultado eleitoral.
A agência Associated Press destacou que a eleição pode manter o Brasil e os Estados Unidos em posições políticas diferentes. Também observou que a prorrogação do horário de votação, causada por problemas no transporte e condições climáticas, poderia proporcionar questionamentos judiciais vindo do candidato derrotado.
Na Europa, o jornal francês Le Monde chamou atenção para a duração maior do horário de votação, considerada fora do comum, e informou que Flávio Bolsonaro planejava pedir a anulação do pleito. O britânico Financial Times informou que o resultado contrariou pesquisas que indicavam vantagem para o candidato do PL.
Imprensa internacional repercute reeleição de Lula no Brasil
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— CNN Brasil (@CNNBrasil) October 26, 2026
Vitória de Lula na presidência é destaque na imprensa internacional
O jornal Clarín escreveu sobre os possíveis caminhos diplomáticos da eleição para o governo de Javier Milei. O texto também falou sobre a importância das redes sociais na campanha petista e a falta de posicionamentos da Casa Branca depois que a vitória de Lula foi confirmada.
Números justificam vitória
Além da repercussão internacional, os números da votação ajudam a explicar a mudança entre os dois turnos. Um levantamento feito pelo g1 mostra que Lula esteve em desvantagem de 2,2 milhões de votos na primeira etapa, mas conseguiu vantagem de 4,4 milhões na segunda, registrando uma mundança de 6,6 milhões na diferença entre os candidatos.
Com a apuração realizada, o candidato de esquerda obteve 64,2 milhões de votos, equivalentes a 51,79% dos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro teve 59,8 milhões, ou 48,21%. O presidente aumentou seu resultado em aproximadamente 10,3 milhões de votos entre os dois turnos, quase três vezes o crescimento registrado pelo adversário.
O crescimento da participação eleitoral e a diminuição dos votos brancos e nulos também contribuiu para a vitória. A abstenção caiu de 21,08% para 19,21%, e a quantidade de votos brancos e nulos baixou de 5,98 milhões para 4,15 milhões.
Lula aumentou seu saldo em relação a Flávio em 5.410 dos 5.570 municípios brasileiros. O petista reverteu a liderança do adversário em 211 cidades, incluindo o Rio de Janeiro. Minas Gerais foi o único estado em que conseguiu virar o resultado, vencendo o segundo turno com 50,43% dos votos válidos.
Os números mostram diferenças regionais: Lula acrescentou quase três milhões de votos à sua votação no Nordeste, enquanto São Paulo registrou o maior crescimento, com mais de 2,6 milhões de votos adicionais. Embora tenha ampliado sua votação nacional em relação ao primeiro turno, Flávio teve menos votos em 939 municípios após o fim da eleição. O resultado é a maior votação já obtida por um candidato à Presidência no Brasil, superando o recorde anterior de Lula em 2022.
