Guerra pode se prolongar, afirma Trump em meio à escalada militar

Mais de 52 mil brasileiros vivem em nações no Oriente Médio diretamente impactadas pela tensão entre os Estados Unidos, Israel e Irã

02 mar, 2026
Presidente dos Estados Unidos l
Reprodução/Instagram/@realdonaldtrump
Presidente dos Estados Unidos l Reprodução/Instagram/@realdonaldtrump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu nesta segunda-feira (2) a ofensiva contra o Irã e afirmou que os confrontos no Oriente Médio devem se estender por “quatro ou cinco semanas, ou mais”. A declaração foi feita durante cerimônia em homenagem a quatro militares norte-americanos mortos após uma base dos EUA no Kuwait ser atingida em ação de retaliação atribuída ao Iraque.

O agravamento da crise envolvendo Estados Unidos, Israel e o governo iraniano também acende o alerta para brasileiros que vivem na região. Estimativas indicam que mais de 52 mil cidadãos do Brasil residem nesses países, com maior concentração no Líbano e em Israel, além de contingentes relevantes nos Emirados Árabes Unidos e na Jordânia.

Trump amplia ofensiva e descarta diálogo com o Irã

A escalada militar no Oriente Médio ganhou novo impulso após o líder americano reforçar que a ofensiva contra o Irã pode se estender por “quatro ou cinco semanas, ou mais”. A sinalização indica uma operação prolongada, com foco na destruição de estruturas militares estratégicas e na contenção do programa nuclear iraniano.

Segundo ele, os ataques representam “a última e melhor chance” de neutralizar o que chamou de ameaça do regime iraniano, incluindo o programa de mísseis e as ambições nucleares de Teerã.

A declaração ocorreu durante cerimônia na Casa Branca, onde Trump homenageou militares mortos em meio à escalada da tensão. No domingo (1º), o Pentágono confirmou que quatro soldados norte-americanos morreram após um contra-ataque iraniano a bombardeios realizados por forças dos EUA e de Israel. Os militares estavam destacados no Kuwait, aliado estratégico de Washington que abriga importantes bases americanas na região do Golfo.


Donald Trump em seu gabinete na Casa Branca (Foto: reprodução/Instagram/@realdonaldtrump)


Além de defender a continuidade das operações, o presidente norte-americano sinalizou que não pretende retomar negociações com Teerã neste momento. EUA e Irã vinham mantendo tratativas sobre um possível acordo de não proliferação nuclear, mas o avanço das ações militares reduziu as chances de diálogo diplomático a curto prazo.

Especialistas em segurança internacional avaliam que a intensificação do confronto pode provocar desdobramentos regionais, com impacto direto sobre rotas comerciais estratégicas, como o Estreito de Ormuz, além de elevar o risco de envolvimento indireto de outros países do Oriente Médio.

Brasileiros em alerta no Oriente Médio

A escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã impacta diretamente milhares de brasileiros que residem no Oriente Médio. Dados do Ministério das Relações Exteriores mostram que 52.545 brasileiros vivem em países envolvidos na atual crise militar, número que não considera turistas ou pessoas em viagem temporária.

O levantamento mais recente aponta que o Líbano concentra a maior comunidade brasileira, com cerca de 22 mil pessoas. Em seguida aparecem Israel, com aproximadamente 14 mil residentes, e os Emirados Árabes Unidos, que reúnem 10.365 brasileiros e mantêm relações comerciais bilionárias com o Brasil.

A Jordânia também registra presença significativa, com cerca de 3.500 brasileiros, e foi impactada por ações militares recentes. Outros países da região com comunidades brasileiras incluem o Catar, com 2 mil residentes, o Bahrein, com 300, o Kuwait, com 280, e o Iraque, com 100. No próprio Irã, alvo inicial da ofensiva conduzida por Estados Unidos e Israel, vivem 85 brasileiros.

Com a possibilidade de prolongamento do confronto e novos desdobramentos militares, cresce a atenção das autoridades brasileiras para a segurança dessas comunidades. A evolução da crise no Oriente Médio pode ter impactos diplomáticos, econômicos e humanitários que atingem diretamente milhares de brasileiros na região.

Diante do agravamento da crise no Oriente Médio e da presença expressiva de brasileiros nos países envolvidos, o governo federal acompanha os desdobramentos por meio das embaixadas e consulados na região. O Ministério das Relações Exteriores informou que mantém monitoramento permanente da situação e canais de atendimento ativos para orientar a comunidade brasileira, e em nota, o Itamaraty, manifestou solidariedade aos brasileiros que vivem no exterior, especialmente àqueles que residem em áreas afetadas pela escalada entre Estados Unidos, Israel e Irã.

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