Governo brasileiro presta esclarecimentos a investigação dos EUA

Brasil e governo americano discutem investigação sobre práticas comerciais, incluindo Pix e 25 de Março, com base na lei americana de comércio exterior

16 abr, 2026
Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva | Reprodução/Ricardo Stuckert/PR
Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva | Reprodução/Ricardo Stuckert/PR

Membros do Governo do Brasil e representantes dos Estados Unidos estão reunidos desde quarta-feira (15) para tratar de uma investigação que partiu do país norte-americano. As duas delegações estão reunidas em Washington para discutir práticas comerciais brasileiras que estariam prejudicando os EUA.

Autoridades brasileiras prestam esclarecimentos em Washington

As investigações, que começaram na quarta, terão continuidade hoje (16) e nelas estiveram presentes os seguintes representantes do Brasil: o embaixador Maurício Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente, e o embaixador Philip Fox Gough, secretário de Assuntos Econômicos. Os dois terão que prestar esclarecimentos à USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) por ações como o Pix e a Rua 25 de Março, em São Paulo.

As investigações foram iniciadas no ano passado, em 15 de julho de 2025, com base na lei americana Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos EUA, que “visa combater práticas estrangeiras desleais que afetam o comércio dos EUA” e investiga se práticas comerciais “são desarrazoadas ou discriminatórias e oneram ou restringem o comércio dos EUA”.

O Pix, que é um sistema de pagamentos criado no Brasil, está sendo apurado, pois, segundo as investigações do governo americano, favorece mais o comércio local do que as empresas norte-americanas: “O Brasil também parece se engajar em uma série de práticas desleais com relação aos serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”, dizia uma parte do documento da USTR.


Representantes do Brasil e EUA se reúnem para falar sobre investigação (Vídeo: reprodução/Instagram/CNN Brasil)


Lula fala sobre mudança no Pix

O presidente Lula já havia se pronunciado no início do mês sobre uma possível mudança imposta pelos EUA referente ao Pix. Lula garantiu que: “Ninguém vai fazer a gente mudar o Pix. Os EUA fizeram um relatório essa semana sobre o Pix, disseram que distorce o comércio internacional, que cria problemas para a moeda deles. O Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando para a sociedade brasileira. O que nós podemos fazer é aprimorar o Pix, para que cada vez mais ele possa atender às necessidades de mulheres e homens deste país”, finalizou.

Um dos principais locais de comércio do estado de São Paulo também foi citado no documento: a Rua 25 de Março, localizada no centro da capital, foi incluída na seção “proteção de propriedade intelectual”, com a seguinte alegação: a região tem permanecido, por décadas, como um dos maiores mercados de produtos falsificados, apesar das operações realizadas para combatê-la.

Outros pontos citados no documento são a “taxa das blusinhas”, que foi criada pelo Governo Lula para impor um imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. Além de mencionar projetos de lei para a regulamentação das redes sociais.

A investigação também se estende para a área alimentícia, como, por exemplo, as restrições sanitárias para a carne de porco americana, além de tarifas sobre o etanol, cotas para produções audiovisuais nacionais e demora no registro de patentes.

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