Flávio Bolsonaro viaja aos EUA para tentar barrar tarifaço americano

Senador apresentou uma defesa de 86 páginas ao órgão comercial USTR para proteger as exportações e salvar o Pix do imposto americano

06 jul, 2026
Flávio Bolsonaro/ Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro
Flávio Bolsonaro/ Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro

Na noite do último sábado (4), Flávio Bolsonaro realizou uma viagem para Washington, nos EUA, a fim de tentar conter imposto sobre o Pix no Brasil. O senador leva consigo um documento técnico explicando os malefícios do tarifaço. Nesta terça-feira (7), participará da reunião promovida pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), órgão que investiga o caso.

O parlamentar deve se manifestar às 10h no horário de Washington (11h em Brasília), a fim de tentar conter a tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros. Segundo Bolsonaro, o intuito é defender que a taxa não seja imposta e que as autoridades americanas recuem no processo que investiga a inclusão da ferramenta nacional de pagamentos nessa disputa.

Dossiê técnico contra o tarifaço

De acordo com Flávio, a tarifa será prejudicial para os exportadores do país e, principalmente, iria afetar os consumidores do Brasil. Para o senador, a economia nacional já atravessa um momento delicado e, além disso, iria afastar investimentos estrangeiros. Com menos dinheiro em circulação no território brasileiro, a produção iria diminuir e a crise seria passada para o bolso do trabalhador.


Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos (Vídeo: reprodução/YouTube/CNNbrasil)


Antes de embarcar, Bolsonaro enviou um documento ao USTR de 86 páginas para conseguir suspender o tarifaço imposto pelos EUA, além de protocolar para que o Pix não entre na disputa entre Estados Unidos e Brasil. Por outro lado, o governo federal conduz negociações paralelas com a gestão norte-americana.

Representantes do Ministério do Desenvolvimento (MDIC) apresentaram propostas focadas em pautas ambientais e na exportação de etanol para tentar frear a decisão de Washington. Contudo, a gestão atual declarou que o funcionamento do Pix é inegociável e rejeita interferências externas no sistema financeiro nacional. O governo dos Estados Unidos deve publicar a resolução definitiva sobre a aplicação ou não das tarifas comerciais até o dia 15 de julho.

Reunião contará com outras autoridades

A audiência pública promovida pelo USTR também contará com a presença do ex-diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo. Ele participará do mesmo painel que o senador para defender o mercado nacional em nome de grandes empresas, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Enquanto isso, o governo segue tentando conter as tarifas.


Senador está em Washington para audiência sobre tarifas (Foto: reprodução/Getty Images Embed/SERGIO LIMA)


Diante desse cenário, a expectativa de analistas de mercado e do setor produtivo se volta para a capacidade de articulação da oposição e das entidades industriais em solo norte-americano. Caso a ofensiva liderada pelo parlamentar e pelos representantes das indústrias seja bem-sucedida, a decisão poderá aliviar a pressão econômica sobre o mercado interno e poupar o sistema financeiro de retaliações.

Por outro lado, o impasse mantém em alerta as frentes diplomáticas, que monitoram de perto os próximos desdobramentos dessa disputa comercial que impacta diretamente o bolso do consumidor final.

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