Israel inicia operação contra o Hezbollah no sul do Líbano
Ofensiva no sul do Líbano ocorre em meio à campanha militar contra o Irã e à entrada do Hezbollah na escalada do conflito regional
As Forças Armadas de Israel começaram nesta segunda-feira (16) uma incursão terrestre no sul do Líbano, mirando posições do Hezbollah. Segundo o Exército, a operação é pontual e tem como objetivo fortalecer a proteção da região fronteiriça ao neutralizar instalações do grupo.
Segundo as Forças de Defesa de Israel (IDF), as unidades militares avançaram sobre redutos considerados estratégicos do Hezbollah para neutralizar combatentes e desmontar bases operacionais. A iniciativa, afirmou o Exército em comunicado oficial, faz parte de uma estratégia defensiva mais ampla voltada a ampliar a proteção das comunidades israelenses localizadas próximas à fronteira com o Líbano.
Israel amplia ações contra o Hezbollah
Os militares também divulgaram registros feitos durante a madrugada, nos quais aparecem soldados e veículos blindados em deslocamento durante uma ação noturna com tecnologia de visão noturna.A expressão “operação limitada” já havia sido empregada por Israel em outra incursão no território libanês, ocorrida em outubro de 2024. Na ocasião, analistas explicaram que o termo costuma indicar uma ação militar pontual, sem intenção declarada de ocupar permanentemente a área invadida.
Soldados israelenses se deslocam para o sul do Líbano (Vídeo: reprodução/Youtube/CNN Brasil)
Dias antes da ofensiva, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que Israel poderia assumir territórios no sul do Líbano caso os ataques do Hezbollah não cessassem. Ele também determinou que as forças armadas estivessem prontas para expandir as ações militares.
Conflito regional se intensifica
Nas últimas semanas, Israel intensificou a presença militar na fronteira, posicionando tropas e veículos blindados na região. Relatos de agências internacionais também apontam confrontos e incursões em localidades do extremo sul libanês.
Após meses de relativa trégua, o conflito envolvendo o estado judeu, a milícia xiita e a república islâmica voltou a se intensificar no início de março. O aumento das tensões ocorre em meio a uma ofensiva militar mais ampla contra o regime iraniano, que também passou a influenciar diretamente os confrontos na fronteira entre Israel e o Líbano.
Coordenação militar com os Estados Unidos
De acordo com as Forças de Defesa de Israel (IDF), a ofensiva militar contra o regime dos Aiatolás deve seguir por pelo menos mais três semanas. A estimativa foi confirmada pela porta-voz militar, a brigadeiro-general Effie Defrin, que afirmou que o plano inclui milhares de alvos estratégicos.
Irã lança mísseis em bases americanas (Vídeo: reprodução/Youtube/SBT News)
O porta-voz comentou que as ações militares ocorrem em coordenação com os Estados Unidos. Elas podem durar inicialmente até o feriado judaico de Pessach, celebrado pelos judeus em memória da libertação do povo hebreu do Egito, episódio narrado no livro de Êxodo na biblia e na Torá. Segundo ela, a estratégia não está vinculada a um calendário rígido mas sim ao objetivo de reduzir significativamente a capacidade do governo iraniano.
A Força Aérea israelense já conduziu aproximadamente 400 ataques aéreos desde o começo da campanha, em 28 de fevereiro, atingindo regiões do oeste e do centro do Irã. As ações miraram principalmente bases militares, infraestrutura considerada estratégica e locais relacionados à fabricação e defesa de armamentos.
Reforço militar na fronteira norte de Israel
Autoridades hebraicas afirmam que os ataques realizados por Tel Aviv em parceria com os norte-americanos já atingiram milhares de alvos no território persa A intensificação da guerra também levou o Hezbollah a mudar de postura. Segundo a porta-voz militar Effie Defrin, o grupo decidiu se envolver diretamente na atual fase do conflito, diferente do que ocorreu nos combates limitados registrados no verão passado.
Após o grupo libanês se envolver diretamente no conflito, Israel aumentou o reforço militar na fronteira norte e expandiu suas operações no sul do Líbano. De acordo com autoridades do país, as operações podem continuar mesmo após o encerramento da guerra contra o Irã, com o objetivo de reduzir a capacidade de atuação do grupo.
