Brasil terá 20,5 milhões de eleitores pretos pardos em 2026

Número corresponde a quase 13% do total de 158,7 milhões de brasileiros aptos a votar, consolidando o cadastro eleitoral como o mais diverso já registrado

20 jul, 2026
Mulher detém o Título Eleitoral | Reprodução/Unsplash/Rafapress
Mulher detém o Título Eleitoral | Reprodução/Unsplash/Rafapress

O Brasil terá 158,7 milhões de eleitores aptos a votar nas eleições de 2026, sendo 20,5 milhões autodeclarados pretos e pardos, o maior número já registrado pela Justiça Eleitoral. Os dados foram divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral nesta segunda-feira (20), consolidando o eleitorado como o mais diverso da história.

O crescimento do eleitorado total foi de 1,46% em relação a 2022, quando havia 156,4 milhões de eleitores. O aumento representa 2,29 milhões de novos votantes em quatro anos.

Os dados sobre raça e cor no cadastro eleitoral funcionam por autodeclaração voluntária. Essa metodologia permite comparação apenas desde 2022, quando o Tribunal Superior Eleitoral começou a coletar a informação de forma sistemática.

Crescimento por categoria racial

  • Pardos aumentaram de 8,5 milhões para 16,9 milhões
  • Pretos cresceram de 1,8 milhão para 3,6 milhões
  • Amarelos passaram de 114,4 mil para 229,5 mil
  • Indígenas foram de 155,7 mil para 287,1 mil
  • Brancos cresceram de 5,3 milhões para 11,7 milhões
  • Sem informação de raça/cor caíram de 140 milhões para 126 milhões

O eleitorado negro em 2026 contrasta com a população negra total do país. Segundo o Censo 2022 do IBGE, a população negra no Brasil é de 112,7 milhões, 55,5% do total. O eleitorado negro de 20,5 milhões representa apenas aqueles aptos a votar.

Por que aumentou a autodeclaração

Para Vera Lúcia Santana Araújo, ex-ministra do Tribunal Superior Eleitoral, o aumento ocorreu a partir de políticas de combate ao racismo e da mobilização do movimento negro. Ela aponta que referências à negritude eram historicamente associadas à negatividade, o que impedia autodeclarações.

“Ser negro no Brasil, que é racista, significa ser excluído, ter a autoestima baixa. Você opera na negatividade porque a estética negra é desqualificada”, disse Vera Lúcia Santana Araújo.

Segundo ela, trabalhar a identidade negra de forma afirmativa muda a autovisão. “Trabalhar afirmativamente a identidade negra, com medidas de inclusão, eu me passo a me ver de maneira elevada. Essa sociedade tem que me ver, respeitar, me reconhecer como mulher negra, eu passo a me afirmar socialmente”, completou.

Vera cita a Primeira Marcha das Mulheres Negras em 2015, que reuniu 50 mil pessoas em Brasília, como marco de mobilização. O evento foi realizado novamente em 2024. A ex-ministra encerra com uma frase do movimento: “Fora do coletivo não há saída”.

Apesar do crescimento do eleitorado negro, a representatividade desses eleitores no Congresso permanece baixa e não acompanha o tamanho da população brasileira que é majoritariamente negra.


Eleitores se registram para votar em uma seção eleitoral (Foto: reprodução/Dado Galdieri/Getty Images Embed)


O que será votado em 2026

As eleições de 2026 definirão presidente e vice-presidente, 27 governadores e 27 vice-governadores, 513 deputados federais, 54 senadores (dois terços da casa), 1.035 deputados estaduais e 24 deputados distritais.

O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Se houver, o segundo turno para cargos majoritários ocorrerá em 25 de outubro.

O voto é obrigatório para maiores de 18 anos. São opcionais para analfabetos, eleitores de 16 a 17 anos e maiores de 70. Quem não votar enfrenta multa que varia entre 3% e 10% de R$ 35,13, podendo ser aumentada até dez vezes conforme a situação econômica. Não comparecimento em três eleições consecutivas resulta na proibição de passaporte, carteira de identidade e participação em concursos públicos.

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