Ed Motta depõe após confusão por taxa de bebida em restaurante
Além de prestar depoimento e estar sendo investigado por injúria por preconceito, áudios xenofóbicos vazados podem complicar ainda mais a situação do compositor
O cantor e compositor Ed Motta prestou depoimento nesta terça-feira (12) na 15ª DP (Gávea), no Rio de Janeiro, em um inquérito que apura o crime de injúria por preconceito contra um barman do restaurante Grado. O incidente, ocorrido em 2 de maio após uma briga por taxa de rolha (valor cobrado para o consumo de vinhos levados pelo cliente), ganhou novos desdobramentos com a divulgação de áudios em que o artista profere ofensas xenofóbicas ao funcionário, ameaçando agressões físicas.
Longo depoimento e “desculpas”
Após prestar um depoimento de duas horas, Motta saiu sem falar com a imprensa. O caso teve início depois de uma discussão no estabelecimento sobre a taxa de rolha; o cantor arremessou uma cadeira e deixou o local. Na sequência, seu amigo Nicholas Guedes Coppim agrediu um cliente com um soco e uma garrafada, tornando-se réu por lesão corporal. Enquanto Nicholas responde pela agressão, Ed é investigado por injúria por preconceito.
Em áudios enviados posteriormente à confusão, o compositor pediu desculpas ao dono do restaurante por ter arremessado a cadeira, justificando o ato como uma reação de ódio à falta de aviso prévio sobre a taxa de rolha. Apesar do pedido de desculpas pelo dano físico, o cantor manteve as críticas ao atendimento, descrevendo a experiência como terrível e chamando um dos funcionários de babaca por supostamente ignorar perguntas de um de seus amigos.
Algo muito diferente de áudios enviados para ele em 2025, em que Motta ameaça agredir fisicamente o barman, utilizando termos xenofóbicos como “paraíba filho da p***”, descrevendo o conflito como uma disputa entre “a Tijuca contra o Nordeste” e justificando sua revolta pelo que considerou um comportamento inadequado do funcionário no atendimento ao público.
Está mais do que comprovado que o Ed Motta é um cuzão. Levou as garrafas de vinho dele pro restaurante, encheu a cara, nao quis pagar a taxa de rolha da casa e tentou jogar uma cadeira no funcionário.
ABSOLUTE BABACA pic.twitter.com/33W9W2chB7— MilGrauNews (@MilGrauNews) May 8, 2026
Imagens do caso (Vídeo: reprodução/X/@MilGrauNews)
Taxa de rolha e desavença antiga
O produtor musical justificou sua reação, alegando que, devido ao seu histórico de nove anos como cliente, a cobrança da taxa de rolha foi inédita e o deixou descontente, já que seu consumo habitual sempre foi elevado e ele já havia anteriormente compartilhado mesa com amigos no estabelecimento. Segundo ele, o arremesso do assento foi um ato impensado e o esbarrão em outra mesa foi acidental devido ao seu tamanho físico. E disse que, na mesma noite, enviou mensagens ao sócio do restaurante queixando-se do atendimento, e que só tomou conhecimento do desfecho violento da confusão na manhã seguinte.
O cantor alegou que o atrito com o garçom era antigo, afirmando que ele e uma amiga já haviam sido ignorados pelo funcionário em ocasiões anteriores. Em depoimento, o barman afirmou ter sido alvo de ofensas xenofóbicas envolvendo suas origens nordestinas, entre outros. Ed Motta classificou a acusação como infundada, alegando suas raízes familiares no Nordeste, entre Bahia e Ceará, demonstrando respeito pelos nordestinos, ainda destacando que, por ser negro e gordo, repudia qualquer forma de preconceito.
Em nota oficial, a defesa do artista, assinada por Pedro Ivo Velloso, Mariana Beda e Tathiana Costa, classifica a divulgação dos áudios como uma tentativa de manipulação de narrativa, alegando que as gravações são antigas, privadas e estão fora de contexto. Os advogados reiteram que a acusação de xenofobia é falsa, que o cantor não possui preconceitos e que ele seguirá colaborando com as autoridades.
